RÁDIO INTERFERÊNCIA PROVENIENTE DE

LINHAS DE ALTA TENSÃO

LISTA DE SIGLAS

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas

AC - Corrente Alternada

ACEC - Advisory Committee on Electromagnetic Compatibility (Comitê Consultivo

de Compatibilidade Eletromagnética)

AGC - Controle Automático de Ganho

AM - Modulação em Amplitude

ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações

ANSI - American National Standards Institute

AVG - Valor Médio

C - Capacitor

CC - Corrente Contínua

CCITT - Comité Consultatif International Téléphonique et Télégraphique

CEEE - Companhia Estadual de Energia Elétrica

CEM - Compatibilidade Eletromagnética

CEN - Comité Européen de Normalisation

CENELEC - Comité Européen de Normalisation Electrotechnique (Comitê

Europeu de Padronização Eletrotécnica)

CIGRE - International Conference on Large High Voltage Electric Systems

(Conselho Internacional para Sistemas Elétricos de Alta Tensão)

CISPR - Comité International Special des Perturbation Radioeletriques (Comitê

Especial Internacional para Rádio Interferência)

COPANT - Pan American Standards Commission

DER - Direction des Études et Recherches

E - Compo Elétrico

EDF - Electricité de France

EEC - European Economic Community

EHF - Extremely High Frequency

Ek - Intensidade de Campo Elétrico Total de Rádio Interferência

ek - Intensidade de Campo Elétrico Pontual de Rádio Interferência

ELF - Extremely Low Frequency

Em - Intensidade de Campo Elétrico Final de Rádio Interferência

EMC - Eletromagnetic Compatibility

EMI - Interferência Eletromagnética

EPRI - Electric Power Research Institute

f - Freqüência

FCC - Federal Communication Commission

FI - Freqüência Intermediária

FM - Freqüência Modulada

H - Campo magnético

HF - High Frequency

IEC - International Electrotechnical Commission

IEEE - Institute of Electrical and Electrocnics Engineers

IF - Freqüência Intermediária

ISM - Industrial, Scientific and Medical

ISSO - International Organization for Standardization (Organização Internacional

de Padronização)

ITU - International Telecommunication Union (União Internacional de

Telecomunicações)

LD - Linhas de Distribuição

LF - Low Frequency

L - Indutância

LOG - Logaritmo

LT - Linha de Transmissão

MATHCAD - Mathematic Computer Aided Design

MF - Medium Frequency

NBR - Normas Brasileiras

OIML - International Organization for Legal Metrology (Organização Internacional

de Metrologia Legal)

PCS - Personal Communication Services

PEA - Valor de pico

QP - Valor de quase-pico

R - Resistência

Re - Resistência Equivalente

RA - Ruído Acústico

RC - Circuito com resistor e capacitor

RF - Radiofreqüência

RFI - Radio Frequency Interference

RI - Rádio Interferência

RMS - Valor Eficaz

SEPA - Subestação Porto Alegre

SHF - Super High Frequency

SNR - Signal Noise Radio (Relação Sinal/Ruído)

TC - Technical Committee (Comitê Técnico)

TV - Televisão

TVI - Televisão Interferência

UHF -Ultra High Frequency

VCCI - Voluntary Control Council for Interference

VDE - Verband Der Elektrotechnik

VHF - Very High Frequency

VLF - Very Low Frequency

W - Largura

Y - Admitância

Z - Impedância

Zo - Impedância Característica

LISTA DE SÍMBOLOS

a - Constante de Atenuação

ß - Constante de Fase

? - Constante de Propagação

G - Gerador Corona

p - número pi ( 3,141593)

O - Ohms

e - Permissividade no Espaço Livre

? - Resistividade do Solo

d - Profundidade de Penetração no Solo

µV - Microvolts

A - Amper

C - Capacitância

dB - Decibel

EHz - Extrahertz

GHz - Gigahertz

Hz - Hertz

kHz - Quilohertz

kV - Quilovolts

l - Comprimento

L - Indutância

m - Modal

MHz - Megahertz

mV - Milivolts

PHz - Picohertz

THz - Terahertz

t -Tempo

V - Volts

INTRODUÇÃO

O presente estudo tem como objetivo desenvolver um método de cálculo

para a rádio interferência provocada pelos campos eletromagnéticos presentes

nas linhas de transmissão de alta tensão, de modo a preservar a qualidade do

sinal recebido por equipamentos eletroeletrônicos e de comunicações utilizados

nas imediações.

Com o crescimento das cidades, as subestações e as linhas de

transmissão de alta tensão, que antes ficavam distantes dos centros

populacionais, estão hoje muito próximas das edificações urbanas. Por outro

lado, o desenvolvimento da indústria eletrônica e das comunicações provocou a

presença de campos eletromagnéticos em todos os ambientes. Isto é, casas,

edifícios, prédios comerciais e industriais estão sujeitos a irradiações

eletromagnéticas provenientes das linhas de transmissão de alta tensão, quando

construídos nas proximidades.

Por outro lado, devido ao crescimento da indústria eletrônica e das

telecomunicações, muitos estudos estão sendo desenvolvidos para análise dos

valores de campos eletromagnéticos originados pela rádio interferência e

presentes em ambientes industriais, comerciais e residenciais.

As ondas eletromagnéticas provenientes de cargas elétricas aceleradas

provocam a presença tanto de campos elétricos como de campos magnéticos.

Estes campos são também conhecidos como radiações eletromagnéticas.

Os sistemas de alta tensão geram campos eletromagnéticos de baixa

freqüência, 60Hz, como também campos eletromagnéticos de alta freqüência, a

níveis de MHz, devido à existência, principalmente, do efeito corona nos cabos e

equipamentos das linhas de alta tensão.

Todos estes fatores provocam não só problemas de segurança pessoal,

como também problemas de interferência entre equipamentos: telefones que

sintonizam rádios, celulares que alteram balanças eletrônicas, banco de dados

alterados por pulsos de radar, etc, ocasionando uma quantidade enorme de

interferências eletromagnéticas.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 15

Este quadro de acontecimentos indica a necessidade de conhecimento

dos níveis de radiação eletromagnética presentes nos ambientes públicos e

privados.

A análise e a medição de campos eletromagnéticos gerados por

equipamentos elétricos fazem parte da área de estudos conhecida como

compatibilidade eletromagnética. Esta área vem sendo muito discutida nos

grandes centros de pesquisas e universidades do mundo inteiro.

Devido a todos estes fatos, torna-se necessário apresentar uma

metodologia que estabeleça medidas mínimas a serem seguidas na implantação

de linhas de transmissão de alta tensão junto a centros urbanos, bem como

estabelecer providências a serem adotadas na utilização de equipamentos

eletrônicos próximos às linhas de transmissão e analisar os campos elétricos

presentes nestas áreas.

Para o estudo dos campos elétricos é imprescindível estabelecer uma

rotina de cálculos a ser seguida para que se possa obter valores essenciais para

a tomada de decisão quanto ao tipo de geometria mais adequada da linha de

transmissão a ser implantada, devido à presença da rádio interferência. Além

disso, apontar recomendações a serem seguidas para utilização de

equipamentos eletroeletrônicos utilizados nas imediações, de modo a garantir a

qualidade do sinal de recepção destes equipamentos.

O desenvolvimento matemático empregado neste trabalho utiliza o

ambiente do programa MATHCAD (Mathematic Computer Aided Design) com o

propósito de obter valores de campo elétrico que venham contribuir para a

análise final, de modo que o projetista possa avaliar a rádio interferência

proveniente, principalmente, do efeito corona nas linhas de alta tensão.

A primeira parte deste estudo permite verificar a quantidade de fatores que

de algum modo estão relacionados com a rádio interferência e são

indiscutivelmente indispensáveis para um exame mais adequado do tipo de

geometria da linha de transmissão a ser implantada perante valores de campo

elétrico resultantes. Nesta etapa do trabalho já se percebe a complexidade do

projeto em execução pelo grande número de variáveis que direta ou

indiretamente influenciam ou estão relacionadas com as linhas de transmissão de

alta tensão.

16 - Ricardo Micheletto Leão

A segunda parte deste trabalho apresenta um método de cálculo

matemático que mostra os valores de campo elétrico final na presença da rádio

interferência de modo a permitir a análise do nível de interferência ou de ruído no

sinal de recepção dos equipamentos eletrônicos nas imediações. Embora se

observe a quantidade enorme de trabalhosas derivações matemáticas, este

capítulo não tem como intuito fornecer um exaustivo desenvolvimento destes

métodos.

A parte final do presente estudo estabelece conclusões de projeto e

recomendações para o uso de equipamentos eletrônicos próximos às áreas das

linhas de transmissão, correlacionando valores encontrados pela montagem de

gráficos e valores recomendados pelas normas da ABNT (Associação Brasileira

de Normas Técnicas) e normas internacionais: IEC (International Electrotechnical

Commission), ANSI (American National Standards Institute), IEEE (Institute of

Electrical and Electronics Engineers), CENELEC (Comité Européen de

Normalisation Electrotechnique), VDE (Verband Der Elektrotechnik), VCCI

(Voluntary Control Council for Interference) e CISPR (Comitê International Special

des Perturbations Radioeletriques).

Importante salientar que esse trabalho descreve as providências que

devem ser tomadas na implementação de linhas de transmissão de energia

elétrica de forma a garantir a compatibilidade eletromagnética destes sistemas

relacionados aos sistemas eletroeletrônicos e de comunicação nas imediações.

Com o desenvolvimento deste estudo é possível estabelecer um conjunto

de informações para auxiliar ao projetista na escolha do tipo de linha de

transmissão mais adequada a ser implantada junto aos centros urbanos.

A ênfase desta pesquisa é encontrar soluções práticas dos problemas que

envolvem a geração, propagação e recepção dos sinais eletromagnéticos e

ruídos.

Convém ressaltar que a presente pesquisa, por razões de delimitação de

abordagem, não analisa a questão da rádio interferência provocada por outros

equipamentos tais como: médicos; industriais e automotivos.

Ademais, convém ressaltar que o uso da metodologia desenvolvida neste

trabalho está limitada a linhas de configurações verticais, horizontais e delta para

qualquer tensão. Não é possível a aplicação a linhas em bifurcação, bem como

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 17

linhas transpostas. Para estes casos outras formulações matemáticas serão

necessárias.

São inúmeros os sistemas de comunicação, incluindo radiotelescópios,

instrumentos de aviação, transmissão de dados de telecomunicações, serviços

públicos de comunicação como: polícia, ambulância e bombeiros e rádios

amadores. Para estes casos os medidores de quase-pico utilizados para medir a

RI, descritos neste trabalho, podem não ser aplicados devido aos efeitos

pulsativos do ruído nas faixas de recepção em AM.

Uma ampla referência bibliográfica é fornecida com propósito de trazer ao

conhecimento de todos uma quantidade melhor de informações sobre a matéria

aqui apresentada.

1 ORGANIZAÇÃO DA IEC

A International Electrotechnical Commission (IEC) é um organismo mundial

de normalização que prepara e publica padrões internacionais para a área

elétrica, eletrônica e de tecnologia relacionada. É uma organização nãogovernamental

internacional criada em 1906. No Brasil a IEC é representada pela

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Figura 1.1 - Organização do Comitê Internacional de Padronização Eletrotécnica

18 - Ricardo Micheletto Leão

2 NORMAS NACIONAIS

No Brasil o órgão responsável pela elaboração de normas sobre utilização

de equipamentos eletroeletrônicos e de telecomunicações é a ABNT (Associação

Brasileira de Normas Técnicas).

As normas nacionais que tratam dos sistemas da rádio interferência

proveniente das linhas de alta tensão, objeto deste trabalho, estão relacionadas

abaixo.

ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações): Resolução nº 237-

Regulamento para Certificação de Equipamentos de Telecomunicações,

Novembro 2000.

NBR 7876: Medição da Rádio Interferência na faixa de 0,15 a 30 MHz em linhas

e equipamentos de alta tensão, 1983.

NBR 7875: Instrumentos de medição da rádio interferência na faixa de 0,15 a 30

MHz, 1983.

NBR 12304: Limites e métodos de medição da rádio perturbação em

equipamentos de tecnologia da informação, 1992.

NBR-9890: Localização e remoção de focos de rádio interferência em linhas

aéreas de alta tensão. Junho 1987.

3 NORMAS INTERNACIONAIS

As normas internacionais que regulam o uso de equipamentos

eletroeletrônicos e de comunicações utilizados próximos a linhas de alta tensão e

especificam métodos e recomendações a serem seguidos sobre a rádio

interferência, objeto deste estudo, estão relacionadas abaixo.

IEC 437 - Radio interference test on high voltage insulators, 1973. Testes sobre

rádio interferência em isoladores de alta tensão.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 19

IEC 61.000-1-1: Eletromagnetic Compatibility (EMC) - Application and

interpretation of fundamental definitions and terms, April 1992. Aplicação e

interpretação de termos e definições consideradas básicas para o CEM.

IEC 61.000-6-3: 61000-6-3/PRAA: Electromagnetic Compatibility (EMC) - Part 6 -

3: Generic Standards - Emission standard for residential, commercial and lightindustrial

environments. Recomendações para emissão de equipamentos

elétricos e eletrônicos utilizados em ambientes residenciais, comerciais e

industriais de pequeno porte. Set 2001.

IEC/CISPR-13: Sound and television broadcast receivers and associated

equipment - Radio disturbance characteristics - Limits and methods of

measurement. Especificações sobre limites e métodos de medida de

equipamentos de som, televisores e receptores de rádio. Nov.2003.

IEC/CISPR-15: Limits and methods of measurement of radio disturbance

characteristics of electrical lighting and similar equipment. Nov. 1998. Limites e

métodos de medida das características de rádio perturbação dos equipamentos

de iluminação e similares.

IEC/CISPR-16: Specification for radio disturbance and immunity measuring

apparatus and methods - Part 1-5: Radio disturbance and immunity measuring

apparatus - Antenna calibration test sites for 30 MHz to 1000 MHz .Out 1999.

Métodos e especificações de equipamentos de medição de perturbações de rádio

e imunidade, com testes para calibração de antenas de 30 a 1000 MHz.

CISPR-1: Specification for Radio Interference Measuring Apparatus for the

Frequency Range 0.15 to 30 MHz. Genova, Suíça, Rev. 2003. Especificações

para equipamentos de medida de rádio interferência na faixa de 0,15 a 30 MHz.

CISPR-2: Specification for Radio Interference Measuring Apparatus for the

Frequency Range 25 to 300 MHz. Genova, Suíça, 1966. Especificações para

equipamentos de medida de rádio interferência na faixa de 25 a 300 MHz.

20 - Ricardo Micheletto Leão

ANSI C63.022: Limits and Methods of Measurement of Radio Disturbance

Characteristics of Information Technology Equipment. Out 2002. Limites e

métodos de medida das características de distúrbios de rádio para equipamentos

de tecnologia da informação.

VDE 0875-11: Industrial, scientific and medical (ISM) radio-frequency equipment -

Radio disturbance characteristics; limits and methods of measurement

(IEC/CISPR 11:1997, modified); German version EN 55011:1998. Limites e

métodos de medidas das características de rádio interferência em equipamentos

industriais, científicos e médicos.

VDE 0872-13: Limits and methods of measurement of radio disturbance

characteristics of broadcast receivers and associated equipment; German version

EN 55013: Alemanha, 1999. Limites e métodos de medida das características de

rádio interferência para receptores de rádio e equipamentos associados.

IEEE C-95. 1:1991 IEEE Standard for Safety Levels with Respect to Human

Exposure to Radio Frequency Electromagnetic Fields, 3 kHz to 300 GHz -

Description. Especificações de níveis de segurança com respeito à exposição

humana dos campos eletromagnéticos da rádio interferência, 3 kHz a 300GHz,

USA, 1991.

IEC 62040/ED.1: Uninterruptible compatibility (EMC) requirements (IEC

Document 22B/107/CD). Requerimentos para compatibilidade eletromagnética

ininterrupta. Rev. Out. 1993.

IEEE 430-197: Standard Procedures for the Measurement of Radio Noise from

Overhead Lines. Procedimentos padrões para medidas de ruído de rádio

proveniente de linhas aéreas. New York, USA, 1976.

ANSI C 63.2: Specifications for Radio - Noise and Field - Strength Meters 0.015 to

30 MHz. Especificações para ruídos de rádio e medidores de intensidade de

campo da rádio interferência na faixa de 0.015 a 30 MHz. New York, USA, 1969.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 21

ANSI C 63.3: Specifications for Radio - Noise and Field - Strength Meters 20 to

1000 MHz. Especificações para ruídos de rádio e medidores de intensidade de

campo de RI na faixa de 20 a 1000 MHz. New York, USA, 1964.

BS EN 55011: Specification for limits and methods of measurement of radio

disturbance characteristics of industrial, scientific and medical (ISM) radiofrequency

equipment. British Standard/European Standard 15-Sep-1998.

Especificações para limites e métodos de medida da rádio interferência de

equipamentos industriais, científicos e médicos.

4 COMPATIBILIDADE ELETROMAGNÉTICA

Por conceito, compatibilidade eletromagnética (CEM) vem a ser a

capacidade de um dispositivo, unidade de equipamento ou sistema, funcionar

satisfatoriamente no meio eletromagnético sem introduzir, ele próprio,

perturbações eletromagnéticas intoleráveis no ambiente.

Uma configuração CEM pode ser assegurada com certa facilidade na

instalação de um sistema eletrônico, desde que cada unidade de equipamento

utilizado cumpra com as normas da compatibilidade eletromagnética, as quais

definem não somente os aspectos de emissão, isto é, os equipamentos atuam

como fontes de perturbação eletromagnéticas, como também de imunidade, isto

é, os equipamentos não são afetados por perturbações eletromagnéticas no

ambiente.

Muitos organismos de normalização, tanto nacionais como internacionais,

têm elaborado especificações técnicas CEM em diferentes domínios, como por

exemplo, CISPR1 no âmbito do IEC2. As normas CISPR/A (16-1, 16-2, 16-3, 16-4)

referem-se à rádio interferências (RI). Todas respeitam o organismo internacional

de normas, denominado Organização Internacional de Normalização (ISO)3.

1 CISPR (Comitê International Special des Perturbations Radioeletriques) possui a denominação

americana de International Special Committee on Radio Interference.

2 IEC (International Electrotechnical Commission) é uma organização padrão para todas as áreas

da eletrotecnologia.

3 ISO (International Organization for Standardization). ISO 9000 tem se tornado uma referência

internacional para qualidade dos requerimentos de gestão na comercialização de produtos.

22 - Ricardo Micheletto Leão

A Comissão Européia4 tornou obrigatório desde janeiro de 1996 o

cumprimento da diretiva 89/336/EEC (Diretiva Européia sobre Compatibilidade

Eletromagnética)5 para comercialização e ou utilização de equipamentos

eletroeletrônicos. Esta diretiva constitui a mais ampla e moderna abordagem em

vigor. As especificações técnicas definidas pelo CENELEC (Comité Européen de

Normalisation Electrotechnique)6 no âmbito do CEN (Comité Européen de

Normalisation) constituem a referência mundial para CEM.

A nível Pan-Americano, a norma do COPANT (Pan American Standard

Commission) normaliza toda a comercialização de equipamentos

eletroeletrônicos na região das Américas, envolvendo América do Norte, América

do Sul, América Central e Caribe.

Os fenômenos eletromagnéticos para os quais a Diretiva CEM vem exigir

um nível de proteção adequado foram identificados pelo IEC e passaram a ser

adotados pelo CENELEC, e correspondem aos seguintes fenômenos:

- Fenômenos conduzidos de baixa freqüência.

- Fenômenos de campos radiados de baixa freqüência.

- Fenômenos conduzidos de alta freqüência.

- Fenômenos de campos radiados de alta freqüência.

- Fenômenos de descargas eletrostáticas.

De uma forma geral, nos domínios do CEM comercial são englobados

todos os fenômenos elétricos, magnéticos e eletromagnéticos, na faixa de

freqüência de zero Hz até 400GHz, para avaliação do comportamento de

equipamentos eletroeletrônicos, tanto no aspecto de emissão como de imunidade

radiada e conduzida7.

4 Comissão Européia (European Commission) é uma das instituições européias que participa do

processo de tomada de decisões da União. A Comissão Européia foi criada para representar o

interesse europeu comum a todos os Estados-Membros da União Européia.

5 A Diretiva Européia sobre Compatibilidade Eletromagnética também é denominada de Diretiva

EMC.

6 CENELEC (Comité Européen de Normalisation Electrotechnique) tem como missão preparar

padrões eletrotécnicos que ajudam a desenvolver o Mercado Europeu e a Economia Européia na

área elétrica e eletrônica.

7 BARRETO,R.M.:Influência de Linhas de Transmissão/Distribuição Em Sistemas

Eletrônicos de Telecomunicações e de Automação, Rio de Janeiro, 2004.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 23

Desta forma, pode-se concluir que equipamentos eletrônicos que

respeitam as normas CEM comerciais estão naturalmente protegidos contra as

perturbações eletromagnéticas.

Outrossim, vale lembrar que para instalações específicas, como por

exemplo em subestações elétricas, é de se esperar medidas de proteção

complementares.

5 ESPECTRO DE FREQÜÊNCIAS

A faixa de freqüência utilizada pelos diversos equipamentos, hoje em dia

comercializados para comunicação, indústria, subestações, receptores de rádio,

etc, se estende de zero Hz (corrente contínua) a mais de 10 PHz (raio x). A

Figura 5.1 mostra o espectro eletromagnético de freqüências.

Figura 5.1 - Espectro eletromagnético de freqüências

O instrumental disponível no mercado permite a medição de campos e de

ondas eletromagnéticas na faixa de 5 Hz a 3GHz. Essa faixa cobre as principais

tecnologias, eletroeletrônicas e de comunicação, presentes nos ambientes

urbanos.

A faixa de freqüência de rádio se estende de 3 kHz a 30.000 MHz.

Um guia adequado de utilização do espectro eletromagnético de

freqüências8 foi publicado pela IEEE e mostra os mais importantes aspectos de

8 IEEE, Standard Procedures for the Measurement of Radio Noise from Overhead Power

Lines. New York, NY.: Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE), 1976. Std. 430-197.

24 - Ricardo Micheletto Leão

medida dos ruídos de rádio em linhas de transmissão na faixa de 15 kHz a 1

GHz.

A Figura 5.2 apresenta a faixa da radiofreqüência utilizada na operação de

rádios na faixa AM (modulação em amplitude) e na faixa FM (modulação em

freqüência), telefone sem fio e telefone celular, bem como as bandas destinadas

à TV (televisão) em VHF e UHF, e ainda a faixa de freqüência utilizada para os

fornos de microondas.

Figura 5.2 – Espectro eletromagnético da radiofreqüência

Ondas de rádio é um termo arbitrariamente aplicado para as ondas

eletromagnéticas na faixa de freqüência de 0,001 a 1016 hertz.

Em termos de comprimento de onda, o limite mais baixo das ondas de

rádio propagadas no espaço livre é de 3 ×1011 metros, sendo que o limite superior

é de 3 ×10- 8metros.

A denominação das bandas de freqüência normalmente utilizadas é

apresentada na Tabela 5.1, bem como a faixa de freqüência correspondente.

A luz visível está na faixa de freqüências de 430 THz até 750 THz e vem a

ser a luz perceptível pelos nossos olhos.

Segundo Dolukhnov9, é relevante notar que os limites do espectro de

freqüência das ondas de rádio são consideravelmente amplos. Do lado das

baixas freqüências, era costume fixar o limite da freqüência de áudio em 10³

hertz. A propósito, este é o limite para as freqüências utilizadas por

transmissores. Recentes pesquisas têm mostrado, entretanto, que alguns

9 Dolukhanov, M. Propagation of Radio Waves. Moscow, Mir Publishers. Moscou, 1971,.pp. 9-18

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 25

fenômenos naturais envolvem ondas de rádio com freqüências abaixo de alguns

milhares de um hertz. Tais freqüências são, por exemplo, geradas por flutuações

de fluxos solares de elétrons e prótons tal como eles penetram na atmosfera da

terra.

Tabela 5.1 - Utilização do Espectro de Freqüências

Fonte: DOLUKHANOV, M. Propagation of Radio Waves. Mir Publishers. Moscou,

1971,.pp. 9-18

Descrição da Banda de Freqüência Faixa de Freqüência

Freqüências Extremamente Baixas (ELF) 0 até 3 kHz

Freqüências Muito Baixas (VLF) 3 até 30 kHz

Rádio Navegação Marítima 9 até 540 kHz

Freqüências Baixas (LF) 30 até 300 kHz

Freqüências Médias (MF) 300 até 3000 kHz

Banda de Rádio Difusão em AM 540 até 1630 kHz

Serviço de Informações para Viajantes 1610 kHz

Freqüências Altas (HF) 3 até 30 MHz

Banda de Rádio Difusão de Ondas Curtas 5.95 até 26.1 MHz

Freqüências Muito Altas (VHF) 30 até 300 MHz

Banda Baixa para TV (Banda 1) - Canais 2 - 6 54 até 88 MHz

Banda de Rádio Difusão em FM 88 até 174 MHz

High Band: TV Band 2 - Canais 7 - 13 174 até 216 MHz

Super Banda (Rádio móvel, fixo e TV). 216 até 600 MHz

Freqüências Muito Altas (UHF) 300 até 3000 MHz

Canais 14 - 70 470 até 806 MHz

L-banda 500 até 1500 MHz

Serviços de Comunicação Pessoal (PCS) 1850 até 1990 MHz

Dispositivos Não Licenciados de PCS 1910 até 1930 MHz

Freqüências Super Altas (SHF) (Microondas) 3 até 30 GHz

C - banda 3600 até 7025 MHz

X - banda 7.25 até 8.4 GHz

Ku - banda 10.7 até 14.5 GHz

Ka - banda 17.3 até 31 GHz

Freqüências Extremamente Altas (EHF) 30.0 até 300 Ghz

Comunicação por Satélite 38.6 até 275 GHz

Radiações Infravermelhas 300 GHz até 430 THz

Luz Visível 430 THz até 750 THz

Radiações Ultravioletas 1.62 PHz até 30 PHz

Raios X 30 PHz até 30 EHz

Raios Gama 30 EHz até 3000 EHz

26 - Ricardo Micheletto Leão

6 AMBIENTE ELETROMAGNÉTICO

Por ambiente eletromagnético entende-se um ambiente onde o propósito é

a identificação das diferentes fontes de perturbações eletromagnéticas que

poderiam ocasionar problemas de interferência eletromagnética (EMI) e a

determinação dos níveis destas perturbações identificadas através de medições e

ou previsões.

7 CAMPO ELETROMAGNÉTICO NO ESPAÇO

A radiação de campos eletromagnéticos no espaço é a forma mais

eficiente de transmissão da informação, através da modulação de onda

portadora. O alcance e a capacidade de transportar energia e ou a informação

depende da freqüência do campo eletromagnético, da sua potência e da

eficiência de acoplamento entre o emissor e o receptor do sinal.

A transmissão de energia eletromagnética pode se dar também por

condução direta, isto é, através de fios e cabos elétricos. É a chamada

interferência conduzida, que depende do meio físico para se propagar e por isso

é mais fácil de ser contida.

8 RÁDIO INTERFERÊNCIA

A rádio interferência (RI) é a degradação da recepção de um sinal

desejado causada por perturbações de radiofreqüência.

A interferência nas freqüências de rádio, RFI (Radio Frequency

Interference), é caracterizada por radiações eletromagnéticas emitidas por

circuitos elétricos que geram sinais indesejados. A interrupção, obstrução ou

degradação do sinal limita o efetivo desempenho dos equipamentos

eletroeletrônicos e de comunicação. A RFI pode ser induzida intencionalmente,

como em algumas formas de conflitos eletrônicos, ou não propositalmente, como

um resultado de emissões espúrias e produtos de intermodulação.

A RFI também é conhecida como interferência eletromagnética.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 27

As interferências são emissões eletromagnéticas que podem afetar a

qualidade de recepção de um equipamento, dispositivo ou sistema e são

divididas em dois tipos, de acordo com o meio de propagação: interferências

irradiadas e interferências conduzidas.

As interferências irradiadas são as que se propagam através de campos

eletromagnéticos, enquanto que as conduzidas propagam-se por cabos de

alimentação, por interligações físicas entre equipamentos, por dispositivos ou por

sistemas.

A maneira mais eficiente para reduzir os efeitos da RFI é usar capacitores

de desvios ou de desacoplamento em cada dispositivo ativo, ou utilizar resistores

séries e filtros para controle do tempo de elevação dos sinais muito rápidos10.

Segundo Maruvada11, a rádio interferência das linhas de corrente

alternada é geralmente definida por três características básicas que são: o

espectro de freqüência, contorno lateral da linha, onde a rádio interferência é

relacionada com a distância ao ponto de recepção do sinal e a distribuição

estatística, na qual se deseja saber qual é o comportamento da rádio

interferência durante um determinado período.

Muitas cidades possuem normas de operação de equipamentos

eletroeletrônicos para que operem corretamente quando sujeitos a quantidades

de RFI, evitando, com isto, causar interferência em outros equipamentos.

As perturbações eletromagnéticas têm produzido, hoje em dia, influências

consistentes em sistemas de alta densidade e alta velocidade. A CEM tem

interferido nos projetos de sistemas eletrônicos, embora, muitas vezes, devido a

acoplamentos incorretos de sinais não se perceba alterações nestes sistemas12.

A radiação de campos eletromagnéticos no espaço é a forma mais

eficiente de transmissão de energia e informação. Sendo que, no caso da

transmissão da informação, utiliza-se a técnica da modulação da onda portadora.

O alcance e a capacidade de transportar a energia e/ou a informação depende da

10 Wikipedia, The Free Encyclopedia. Disponível em http://em.wikipedia.org.wiki/Radio

Frequency Interference. Acesso em 05 de setembro 2005.

11 MARUVADA, Sarma: AC and DC Transmission Line - Corona Effects. Orlando, Flórida,USA,

Fev. 2004.

12 CLAYTON, R.Paul. Electromagnetics for Engineers with Applications to Digital Systems

and Electromagnetic Interference. John Wiley & Sons .INC, 2004, p. 207.

28 - Ricardo Micheletto Leão

freqüência do campo eletromagnético, da sua potência e da eficiência do

acoplamento entre o emissor e receptor13.

Segundo Gary e Cladé14, é possível que equipamentos em subestações,

acessórios de linhas e isoladores também sejam fontes de rádio interferência,

como descreve em seus estudos sobre perturbações rádio elétricas em linhas de

transporte de energia:

Láppareillage de poste, les accessoires de ligne, les chaines

d’isolateurs sont également des sources de perturbations

radioélectriques, dont le spectre peut, dans certaines conditions,

s’étendre jusqu’aux fréquences utilisées en télévision.15

8.1 RUÍDOS PROVOCADOS POR RÁDIO INTERFERÊNCIA

Por ruído entende-se geralmente qualquer perturbação espúria ou

indesejável que tende a mascarar o sinal de transmissão. Pode-se distinguir

vários tipos de ruído: ruídos artificiais, ruídos provenientes de distúrbios erráticos

que se apresentam fora de nosso controle, ocorrendo irregularmente e os ruídos

oriundos de flutuações espontâneas.

Os ruídos de origem artificial podem ser originados da captação

eletromagnética de sinais interferentes e são captados através de fontes de

alimentação, como também podem ser sinais espúrios originados de

moduladores balanceados, etc.

Os distúrbios erráticos que não têm origem na atividade do homem podem

ser devidos a tormentas atmosféricas elétricas e a outras causas naturais.

Os ruídos provenientes de flutuações espontâneas de tensão e correntes

ocorrem de uma maneira geral no mundo físico e são devidos, em última

13 MÜHLEN, Sérgio Santos.Interferência e Compatibilidade Eletromagnética. Alemanha 2002.

14 GARY,C; CLADÉ, J. Les Perturbations Radio-Électriques Engendrées Par les Lignes de

Transport d’Énergie. Revue Génerale de Electricité, Vol. 75, No 5, ,pp. 659-681.Rew. Agosto

2001.

15 Equipamentos de subestações, filtros de linha e isoladores são igualmente fontes de rádio

interferência, cujo espectro pode, em certas condições, se estender até as freqüências usadas na

televisão. GARY,C e CLADÉ, J. Lês Perturbations Radio-Électriques Engendrées Par lãs

Lignes de Transport d’Énergie. Revue Génerale de Electricité,Vol. 75, No 5, pp. 659-681. 2001.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 29

instância, à natureza descontínua ou granular dos sistemas básicos. Estes ruídos

representam uma limitação básica para a transmissão da informação16.

Ruídos eletromagnéticos limitam o desempenho de todo o sistema de

comunicações. Isto é, os níveis mínimos de sinais que podem ser detectados são

limitados por fontes de ruído externas e internas. O ruído eletromagnético externo

ou do meio ambiente é composto por fontes naturais e fontes feitas pelo homem.

Fontes de ruído interno em sistemas de recepção incluem perdas de sinais em

antenas e em linhas de transmissão. O ruído é completamente descrito pelas

suas características espacial, espectral e temporal17.

A interferência na recepção de sistemas de rádio e perturbações geradas

em LT (linhas de transmissão) ou em LD (linhas de distribuição) na faixa de 0,15

MHz a 300 MHz, chamada de radiodifusão sonora em AM (amplitude modulada),

na faixa de 15 MHz a 30 MHz, denominada de radiodifusão sonora em FM

(freqüência modulada) e TV na faixa de 30 MHz a 300 MHz. Acima de 300 MHz o

nível de ruído é extremamente baixo, de forma que não é normalmente passível

de causar interferência.

O ruído em radiofreqüência gerado por LT e LD, acima 1 kV, é causado

principalmente pelo efeito corona, isoladores defeituosos ou contatos frouxos,

permitindo a existência de descargas elétricas, que variam conforme as

condições atmosféricas.

Para a recepção de sinais de rádio e televisão livres de interferência é

necessário existir uma elevada relação SNR (relação sinal/ruído) na entrada do

receptor, a qual poderá ficar comprometida caso o nível de recepção dos sinais

de rádio e TV sejam baixos e as condições atmosféricas sejam propícias à

geração de ruído em RF por LT e LD.

De modo a garantir que os níveis dos diferentes tipos de ruído gerado por

uma LT, LD e equipamentos associados sejam mantidos abaixo dos limites

aceitáveis, são desenvolvidas técnicas de medição e predição baseadas no

conceito de nível de referência de uma LT e LD. O nível de referência de uma LT

e LD é determinado pelo projeto, instalação e manutenção da linha.

16 SCHWARTZ, Mischa. Transmisión de la información, modulación y ruido. Buenos Aires:

Alsina 731, 1968. p.217.

17 SMITH, Albert A. Radio Frequency, Principles and Applications. New York, NY: IEEE Press,

1998. p. 111.

30 - Ricardo Micheletto Leão

Sistemas de transmissão em CC (corrente contínua) também são

passíveis de produzirem ruído em alta freqüência, principalmente pelos

conversores a válvula que, por estarem acoplados às linhas de energia, permitem

que o ruído gerado na comutação seja propagado para os demais componentes

do sistema.

Há necessidade que se estabeleçam normas para que os sinais de

recepção não sejam prejudicados por perturbações eletromagnéticas e caiam a

um nível tal que venham a desqualificar a boa recepção pelos equipamentos

eletrônicos.

Sobre este assunto, Roberto Menna Barreto descreve a questão

reguladora dos níveis de recepção da seguinte maneira:

Compete aos órgãos reguladores a determinação dos limites mínimos do

sinal a ser protegido e a relação sinal/ruído que permita a recepção de sinais de

radiodifusão satisfatória.

Estes fatores determinam então a “distância protegida”, qual

seja, a distância mínima da linha de forma a proteger o sinal de

radiodifusão para uma certa percentagem do tempo

(normalmente inferior a 100 metros)18.

O ruído de linha de transmissão pode ser transmitido por condução,

indução ou radiação. A interferência pode ser conduzida através da transmissão

para a fonte de alimentação do rádio. Pode viajar por indução quando a LT está

suficientemente próxima à antena ou à alguma parte do receptor, ou até perto de

outra LT. Também pode viajar através de irradiação, isto é, as linhas de potência

se tornam uma antena. A condução e a indução são geralmente responsáveis

pelas interferências de baixa freqüência porque a corrente conduzida decresce

rapidamente com a freqüência19.

Nas subestações se estabeleceram regras técnicas que garantem o ruído

máximo a ser produzido pelos transformadores ou outros equipamentos. Os

mesmos devem respeitar as exigências da norma IEC 651(1987) sobre a

18 BARRETO, Roberto Menna. Influência de Linhas de Transmissão/Distribuição Em

Sistemas Eletrônicos,de Telecomunicações e de Automação, Rio de Janeiro, 2004.

19 Wikipedia, The Free Encyclopedia. Disponível em http://em.wikipedia.org.wiki/Radio Frequency

Interference. Acesso em 08 de setembro 2005.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 31

medição dos níveis de pressão sonora20, bem como da NBR-10151 da ABNT

(Junho 2000), que especifica um método para a medição de ruído, a aplicação de

correções nos níveis medidos e leva em conta vários fatores, quando se pretende

avaliar o ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade. Este

método também pode ser utilizado para outras medições de ruído em outros

locais e com outros objetivos21.

Ademais, para atender os efeitos das linhas de transmissão aéreas sobre

circuitos de comunicações nas proximidades de instalações de alta tensão, devese

seguir as diretivas da CCITT (Comitê Consultivo Internacional Telegráfico e

Telefônico). Por outro lado, para definição da banda perturbadora sobre os níveis

de sinais recebidos nas comunicações, são utilizados os procedimentos

indicados pelo CISPR (Comitê Internacional Especial de Perturbações

Radioelétricas), nº.18 - 1, 2 e 3, para as construções de instalações de transporte

de energia elétrica22.

Assim sendo, pode-se identificar dois tipos de ruídos de linhas de

transmissão: o intervalo de centelha em isoladores, spark-gap, e a descarga de

corona, corona discharge.

8.1.1 Ruídos causados por centelhamento

Os ruídos causados por falhas em isoladores causam a maioria das

interferências de LT. O centelhamento ocorre sempre que uma diferença de

potencial é produzida entre dois condutores, ionizando o ar. A ionização diminui a

resistência do ar que, ao atingir determinado valor, proporciona a condução,

provocando assim o centelhamento, e uma corrente flui através do ar ionizado. A

resistência do ar ionizado varia consideravelmente, causando variações de

corrente que podem ser induzidas nas linhas de transmissão e propagadas. A

centelha também irradia o ruído ao longo de um espectro largo de freqüências.

20 RESOLUCIÓN 77/98, Manual de Gestión Ambiental del Sistema de Transporte Eléctrico de

Extra Alta Tensión".República Argentina, 12 março 1998.

21 ABEL, Engenharia de Segurança do Trabalho. Projetos de Acústica Ambiental e Controle do

Ruído. Disponível em http://www.abel-acústica.com.br/Pauta/01-Medir NPS.htm. Acessado em

setembro 2005.

22 DESARROLLO SOSTENIBLE, Desarrollo Económico Respetuoso del Ambiente Natural Y

Social. República Argentina, 12 de março 1998.

32 - Ricardo Micheletto Leão

Sob determinadas situações, as centelhas podem originar trens sucessivos de

pulso fracos. As ondas resultantes contêm energia harmônica forte e podem

causar interferência severa até a região de VHF. O ruído de centelhamento

geralmente diminui com a freqüência. É uma característica que pode ser muito

útil quando se rastreia a interferência. Uma exceção a esta regra ocorre quando

as linhas de potência conectadas à fonte de ruído se tornam ressonantes em

uma ou mais freqüências em particular. O ruído pode apresentar picos

justamente nestas freqüências.

Diferente do efeito corona, o ruído de centelhamento é geralmente um

fenômeno relacionado às boas condições de tempo, podendo desaparecer

durante a chuva porque a precipitação curto-circuita os intervalos entre isoladores

e peças usadas no suporte de sustentação dos cabos, transformadores e outros

equipamentos fixados nos postes. Sendo, normalmente, de 60 Hz a freqüência

das linhas de transmissão de corrente alternada, a tensão passa através de dois

picos (positivo e negativo) duas vezes a cada ciclo. O ruído de centelhamento e

de corona seguem este padrão, geralmente se iniciando e parando 120 vezes por

segundo. Isto apresenta os ruídos característicos de zumbido.23

8.1.2 Ruídos causados por corona

O estudo do efeito corona já vem sendo realizado há muito tempo,

especialmente com trabalhos desenvolvidos por Peek24 nos Estados Unidos da

América do Norte, sobre o comportamento dos fenômenos dielétricos na técnica

das altas tensões.

Quando um condutor aéreo é percorrido por uma corrente elétrica, cria em

torno de si um campo elétrico. Quando o valor do gradiente de potencial ali

existente excede o valor do gradiente crítico, os átomos do ar se ionizam e

quanto maior for o seu potencial, maior será o efeito que se manifestará sob

forma de uma luminescência envolvendo o condutor como uma coroa azul

violeta, denominada de efeito corona. A intensidade do campo eletrostático tem

23 TONIOLO, Marcelo. Artigos Técnicos e Informações para Dxistas. Osasco, S.Paulo, 6 de

maio 2002.

24 PEEK, F.W, Jr.Law of Corona .AIEE, Transactions Power Apparatus and Systems, vol. 30, 31,

32. 1912-1929.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 33

seu valor maior na superfície do condutor e tem a sua intensidade diminuída

inversamente com a distância ao centro do condutor. Ao aumentar o diâmetro do

condutor este efeito se decompõe sob forma de cristas localizadas, cujo fator

contribuinte é a própria aspereza do condutor, a sua poluição, bem com insetos e

partículas vegetais nele depositadas. No campo não uniforme em torno de um

condutor, a divergência do campo exerce influência adicional, e qualquer

partícula contaminadora, como poeira, por exemplo, transforma-se em fonte

pontual de descargas.

Outro estudo sobre o efeito corona foi desenvolvido pela Quelle

Automação Industrial25 em seu artigo sobre descargas elétricas nos gases, no

qual menciona que o aumento da tensão entre dois eletrodos provoca um

aumento da intensidade do campo elétrico resultante, produzindo a

movimentação dos íons entre os eletrodos. A velocidade deste deslocamento

depende principalmente da pressão do gás e da intensidade do campo elétrico.

Desta forma, é cada vez maior a quantidade de íons que na unidade de tempo

conseguem chegar até os eletrodos, ou seja, a corrente elétrica que circula pelo

gás vai aumentando sua intensidade. A partir de um determinado momento,

todos os íons produzidos pelo agente ionizador, o campo elétrico, chegam até os

eletrodos. Então, embora a tensão possa ser aumentada, a corrente elétrica que

circula pelo gás não aumentará seu valor, isto é, haverá saturação do gás.

Quanto menor for a densidade do gás, menores serão as intensidades de

campo elétrico necessárias para atingir a saturação do gás. Para aumentar a

intensidade da corrente elétrica além do valor de saturação se faz necessário

elevar consideravelmente a tensão entre os eletrodos. Feito isto, a intensidade da

corrente elétrica novamente vai aumentar. Nestas condições aparece a ionização

por choque eletrônico e, neste momento, a recombinação dos átomos e

moléculas ionizados que voltam ao seu nível energético base, produz a emissão

de radiações eletromagnéticas, que no caso luz torna o gás luminoso. A partir

desta situação, um aumento do valor da tensão entre eletrodos produz o

chamado efeito de avalanche, ou seja, um elétron qualquer produz um íon e um

novo elétron, o qual novamente reinicia o processo.

25 Quelle Automação Industrial Ltda. Rua Igati, 47, Vila Anhanguera. S.Paulo, SP. Disponível

em http://www.quelle.com.br/Artigos/EfeitoCorona.html . Acesso em 20 de setembro 2005.

34 - Ricardo Micheletto Leão

Se a ionização for ainda maior, o gás começa a se iluminar e, nos pontos

onde o raio de curvatura é muito pequeno, aparece uma luminosidade. Este é o

efeito corona. A zona do gás adjacente à superfície iluminada é chamada de

camada do efeito corona, o restante da região de descarga se denomina região

da corrente negra. No caso da corona se manifestar no eletrodo catódico, chamase

corona catódica ou corona negativa. No caso deste efeito se produzir no

eletrodo anódico, denomina-se corona anódico ou positivo, e nela os elétrons

surgem junto ao ânodo pela foto-ionização do gás, devido à radiação emitida pela

camada do efeito corona26.

Muitos laboratórios científicos vêm trabalhando em projetos sobre o efeito

corona. Entre eles destacam-se Edison Electric Institute, na América do Norte e o

Centro de Recherches de Lês Renardières, na França.

Ensaios foram realizados sobre o corona por Adams27, Loeb28,Trinh e

Jordan29, LaForest30, entre outros31. É importante salientar os trabalhos sobre o

corona em tensões alternativas das linhas de alta tensão realizados por Cladé32,

Gary e Moreau33 na França.

A presença do efeito corona em condutores de linhas de alta tensão pode

dar origem a sons audíveis ou ruídos audíveis. A intensidade do ruído depende

do gradiente superficial do campo elétrico nos condutores, de seu estado

superficial e das condições atmosféricas.

26 Quelle Automação Industrial. O Efeito Corona e as Descargas Elétricas nos Gases.

S.Paulo,SP.Disponível em http://www.quelle.com.br/Artigos/EfeitoCorona.html .Acesso em 20 de

setembro 2005.

27 ADAMS,G.E.,The Calculations of the Radio Interference Level of Transmission Lines

Caused by Corona Discharches. AIEE Transactions Power Apparatus and Systems, vol 75, pt

III, p. 411 - 418, Rew 1991.

28 LOEB,L.B.Electrical Coronas - Their Basic Physical Mechanism. Berkeley: University of

California Press, 1963.

29 TRINH,G.; JORDAN, J.G., Modes of Corona Discharches in Air. IEEE Transactions Power

Apparatus and Systems, vol. PAS - 87, nº 5, p.1217 - 1215. USA 2001.

30 LAFOREST,J.J.,Seasonal Variation of Fair-Weather Radio Noise. IEEE Transactions Power

Apparatus and Systems,PAS - 87, p.928-931, Rew 2002.

31 COSTA, Gilberto José Corréa da. Contribuição ao Estudo de Rádio Interferência. P.Alegre.

CEEE, outubro, 1987.

32 CLADÉ, J.J.; GARY C.H., Predetermination of Corona Losses Under Rain. Influence of

Radio Intensity and Utilization of a Universal Chart. IEEE Transactions Power Apparatus and

Systems, v.PAS-89, p.1179 - 1185.July/August 1970.

33 GARY, C.; MOREAU. L´effect de Couronne em Tension Alternative. Collection de la

Direction dês Etudes et Recherches d´Elictricité de France. França, 1976.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 35

Os níveis de perturbações do ruído audíveis aumentam junto com o nível

de tensão de operação dos sistemas de transmissão, e começam a tomar

importância nas tensões superiores a 300 kV 34.

O efeito corona é aplicado a todos os fenômenos relacionados com a

presença da condutividade de um gás que circula em um condutor nas altas

tensões. Esta condutividade é devido ao fenômeno de ionização.

Descargas de corona aparecem na superfície de um condutor de uma LT

quando a intensidade do campo elétrico na superfície deste condutor excede a

capacidade de disruptiva do ar35.

Mesmo em um campo elétrico uniforme, entre dois eletrodos planos

paralelos no ar, uma série de condições controla a tensão disruptiva do ar tais

como: a pressão do ar, a presença do vapor d’água, o tipo de tensão aplicada e a

foto-ionização incidente. No campo não uniforme em torno de um condutor, a

divergência do campo exerce influência adicional, e assim, qualquer partícula

contaminadora como poeira, transforma-se em fonte pontual de descargas.

Outra característica do efeito corona é observada pelas descargas

elétricas em gases que são geralmente iniciadas por um campo elétrico que

acelera elétrons livres ali existentes. Quando esses elétrons adquirem energia

suficiente do campo elétrico, podem produzir novos elétrons por choque com

outros átomos. É o processo de ionização por impacto. Durante a sua aceleração

no campo elétrico, cada elétron livre colide com átomos de oxigênio, nitrogênio e

outros gases presentes, perdendo, nessa colisão, parte de sua energia cinética.

Ocasionalmente um elétron pode atingir um átomo com força suficiente, de forma

a excitá-lo. Nessas condições, o átomo atingido passa a um estado de energia

mais elevado. O estado orbital de um ou mais elétrons muda e o elétron que

colidiu com o átomo perde parte de sua energia para criar esse estado.

Posteriormente, o átomo atingido pode reverter ao seu estado inicial, liberando o

excesso de energia em forma de calor, luz, energia acústica e radiações

eletromagnéticas. Um elétron pode igualmente colidir com um íon positivo,

34 DESARROLLO SOSTENIBLE, Desarrollo Económico Respetuoso del Ambiente Natural Y

Social. República Argentina, 12 de março 1998.

35 No ar, quando a intensidade de campo elétrico atinge 30 kV/cm, sob pressão normal, com

eletrodos de 20mm de diâmetro, a faísca de descarga é produzida.

http://www.altatensão2001.hpg.ig.com.br. Acesso em 10 de janeiro 2006.

36 - Ricardo Micheletto Leão

convertendo-o em átomo neutro. Esse processo, denominado recombinação,

também libera excesso de energia36.

Sobre os aspectos do efeito corona e suas características na superfície

dos condutores, Comber, Deno e Zafanella37, em seus trabalhos no EPRI

(Electric Power Research Institute) sobre linhas de transmissão de 345 kV ou

mais, salientam que:

Even in a uniform field between two parallel plane electrodes in

air, a host of conditions controls this breakdown strength. Several

of these conditions are air pressure, electrode material, presence

of water vapor, incident photo ionization, and type of voltage38.

Descargas individuais de corona provocam pulsos de tensão e corrente de

curta duração que se propagam ao longo das linhas de transmissão, resultando

em campos eletromagnéticos em suas imediações. Essas descargas ocorrem

durante ambos os semiciclos da tensão aplicada, porém aquelas que ocorrem

durante os semiciclos positivos é que irradiam ruídos capazes de interferir na

rádio recepção nas faixas de freqüências das transmissões em AM,

particularmente na faixa de ondas médias. Ocorre, portanto, nos ciclos positivos

as maiores fontes de perturbações em rádio recepção.

As cargas elétricas geradas pela ionização do ar na vizinhança de um

condutor e que se deslocam sob o efeito do campo elétrico, atuam como um

gerador de corrente, ou seja, isto impõe ao condutor uma corrente que depende

de suas próprias características e também de um fator que está ligado às

capacidades próprias e mútuas dos condutores num sistema multifilar. Este

fenômeno, inicialmente estudado por Adams39, foi meticulosamente analisado

pelos centros de pesquisas, sendo conhecido por função excitatriz.

36 Efeito Corona - Engenharia Elétrica da UFES-Universidade Federal do Espírito Santo.

Disponível em http://www2.Icee.ele.ufes.br/x/professores/arquivos/45. Acesso em 20 setembro

2005.

37 COMBER, M.G. DENO, D.W. ; ZAFANELLA, L.E.,Corona Phenomena on AC Transmission

Lines. Eletric Power Research Institute. Palo Alto, California, USA. Cap.4,p. 169, 1982.

38 Mesmo em um campo uniforme entre dois eletrodos planos paralelos no ar, um grande número

de condições controla esta intensidade de ruptura. Muitas destas condições são a pressão do ar,

o material dos eletrodos, a presença do vapor de água, a foto ionização incidente, e o tipo de

tensão. COMBER, M.G. DENO, D.W. e ZAFANELLA, L.E., Corona Phenomena on AC

Transmission Lines. Eletric Power Research Institute. Palo Alto, California, USA. Cap.4, p. 169,

1982.

39 ADAMS, G.E. The Calculations of the Radio Interference Level of Transmission Lines

Caused by Corona Discharges. AIEE Transactions Power Apparatus and Systems, vol 75. pt.III.,

p 411-418. Rew 1991.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 37

Os distúrbios causados pelo efeito corona nas LT se tornam muito

evidentes, principalmente, quando se considera que a faixa de radiofreqüência se

estende de 3 kHz a 30 GHz.

O processo de descarga da corona é pulsatório, produzindo pulsos de

corrente e tensão nos condutores da LT. Estes pulsos são caracterizados pelas

constantes de tempo de subida e caída e podem estar na ordem de centenas de

microssegundos e pela taxa de repetição, que pode estar na faixa de MHz.

Conseqüentemente, o espectro de freqüência daqueles pulsos pode cobrir uma

considerada porção de banda de freqüência de rádio. Os campos

eletromagnéticos resultantes das descargas de corona podem criar distúrbios não

desejados nos canais ou dispositivos de transmissão em operação em cima de

uma faixa larga de freqüências. Em outras palavras, o efeito corona nas LT pode

ser uma fonte de ruído de rádio.

Teoricamente, o ruído de rádio nas LT pode interferir em qualquer

comunicação de rádio freqüência e depende de fatores como: distância da LT do

dispositivo de recepção da comunicação, a orientação da antena de recepção, a

geometria da linha de transmissão e as condições de tempo. O nível de

interferência pode ser tal que a recepção da informação desejada é praticamente

ininteligível. Um projeto particular de LT resulta num aceitável nível de ruído de

rádio e deve ser expresso em termos quantitativos40.

Eflúvios de corona também podem ocorrer em outros componentes das

LT, tais como: ferragens e isoladores, porém a intensidade dos ruídos gerados,

neste caso, é bastante inferior à do ruído gerado pelos condutores. Ferragens

defeituosas, pinos e contrapinos mal ajustados ou soltos podem igualmente gerar

pulsos eletromagnéticos.

A geração desses ruídos interfere nos equipamentos dos moradores das

vizinhanças das LT, uma vez que os ruídos podem se propagar além das faixas

de servidão das linhas.

Ainda não é possível projetar, economicamente, uma LT aérea em tensões

acima de 100 kV e que não produza rádio interferência. Não obstante, critérios

40 Comber, M.G ; Nigbor, R.J. Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric Power

Research Institute. Palo Alto, CA.1982.

38 - Ricardo Micheletto Leão

corretos e atenção aos aspectos relevantes do projeto podem produzir um

sistema que resulte, pelo menos, em níveis aceitáveis de perturbações.

O estudo do comportamento das linhas no que se refere à rádio

interferência é bastante complicado em virtude dos inúmeros fatores que afetam

seu comportamento, muitos dos quais ainda são indefinidos e nem mesmo

totalmente entendidos.

As múltiplas manifestações do efeito corona têm implicações diretas com a

economia das empresas concessionárias e com o meio ambiente no qual as

linhas de transmissão se encontram. Todas estas manifestações são importantes

e devem merecer dos projetistas a devida atenção.

As perdas de energia devido ao efeito corona e suas conseqüências

econômicas têm sido objeto de pesquisas e estudos, mas só recentemente foram

alcançados meios que permitem determinar, com razoável segurança, qual o

desempenho que se poderá obter para as diversas soluções possíveis para uma

LT, no que diz respeito a essas perdas. De um modo geral, elas se relacionam

com a geometria dos condutores, tensões de operação, gradientes de potencial

nas superfícies dos condutores e, principalmente, com as condições

meteorológicas locais. Constatou-se, por exemplo, que as perdas por efeito

corona em linhas de tensões extra-elevadas podem variar de alguns quilowatts

por quilômetro até algumas centenas de quilowatts por quilômetro, sob condições

adversas de chuva ou garoa. As perdas médias, como se verificou, podem

constituir apenas pequenas partes de perdas por efeito joule, porém as perdas

máximas podem ter influência significante nas demandas do sistema, pois a

capacidade geradora para atender a essa demanda adicional deverá ser prevista

ou a diferença de energia ser importada.

Estudos sobre rádio interferência proveniente de linhas de transmissão

comprovam que, geralmente, quanto maior a tensão, maior será o efeito da

corona e que este efeito aumenta com a umidade e chuva porque tornam o ar

mais condutivo. O ruído corona induzido é, quase sempre, pior durante a chuva,

quando a precipitação cai em forma de gotas nas bordas inferiores das linhas de

transmissão. A Figura 8.1.2.1 mostra a presença do efeito corona num condutor

energizado úmido com a superfície suja.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 39

Figura 8.1.2.1-Condutor energizado úmido com a superfície suja.

Estudos desenvolvidos por Gross41 apresentam informações do tempo de

duração do efeito corona para diferentes tensões e tipos de condutores. As

curvas mostram um decréscimo das perdas de corona depois de

aproximadamente seis meses. Os valores apresentados são representativos para

todos os tipos de tempo e para diferentes tensões de LT.

As imperfeições das superfícies dos condutores são fatores determinantes

na prática. Nas linhas em operação que apresentam irregularidade nos

condutores, o gradiente de tensão superficial crítico é muito menor do que

aqueles dos condutores perfeitos. Isto é devido às deficiências inevitáveis da

superfície dos condutores produzidas durante a fabricação dos mesmos e

quando são estirados sobre as estruturas de sustentação. Todos estes defeitos

são conduzidos para os locais de concentração do campo elétrico e

conseqüentemente para um gradiente de tensão mais baixo42.

O relatório do Electric Power Research Institute (EPRI) menciona que:

Corona and arcing activity may occur at numerous points in

overhead transmission, substation, and distribution power

systems. This activity may result in audio noise or radio

interference complaints or indicate a defective component that

may be close to failure.43

41 I.W.Gross. Corona Investigation on Extra High Voltage Lines- 500 kV. Test Project of the

American Gas and Electric Company. AIEE Transactions on Power Apparatus and Systems, vol.

70, p. 75-94, 1986.

42 Gary, C.; Hirsch, F. Interferences Procuced By Corona Effect of Electric Systems.

Description of Phonomena Pratical Guide For Calculation. Document prepared by Working Group

36.01.Set p. 1997.

43 A atividade do efeito corona e do arco voltaico pode ocorrer em numerosos pontos sobre a

linha de transmissão, subestação e sistemas de distribuição de potência. Esta atividade pode

40 - Ricardo Micheletto Leão

O efeito corona pode ocorrer em numerosos pontos sobre a linha de alta

tensão, bem como em subestações e em sistemas de distribuição de energia

elétrica, este efeito pode resultar em ruído de áudio e em rádio interferência ou

indicar um componente defeituoso da linha de transmissão que está preste a

falhar. Observar Figura 8.1.2.2.

Figura 8.1.2.2 - Detecção do efeito corona em uma linha de 380 kV em tempo nebuloso.

Defeitos ocasionados nas linhas de transmissão devido ao efeito corona

podem ser vistos na Figura 8.1.2.3, na qual partes do cabo elétrico que se soltam

alteram as características da linha.

Figura 8.1.2.3 - Defeito ocasionado pelo efeito corona em uma linha de 345 kV.

resultar em ruído de áudio, rádio interferência ou indicar um componente defeituoso que pode

estar prestes a falhar. Lindner, Pinhas Malka, Topaz, Jeremy M., Mendelson, Avi. Ofil Ltda. Israel.

2005.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 41

São significativos os valores obtidos em medições realizadas na Rússia

em linhas de 500 kV. Mediram-se perdas médias anuais da ordem de 12 kW/km

de linha trifásica em tempo bom, perdas máximas da ordem de 313 kW/km sob

chuva e 374 kW/km sob garoa.

Tanto as perdas com tempo bom como aquelas sob chuva dependem dos

gradientes de potencial na superfície dos condutores. As perdas sob chuva

dependem não só do índice de precipitações, como também do número de

gotículas de água que conseguem aderir à superfície dos condutores. Esse

número é maior nos condutores novos do que nos usados, nos quais as gotas

d’água aderem mais facilmente à geratriz inferior dos condutores.

Figura 8.1.2.4 - Parte inferior de um feixe seco de condutores com um grande gradiente

de potencial.

As linhas aéreas de transmissão de energia elétrica há muito têm sido

consideradas como causadoras de impacto visual sobre o meio ambiente em que

são construídas. Uma espécie de poluição visual que os conservadores e

urbanistas há muito vêm combatendo. O advento da transmissão em tensões

extra-elevadas e as perspectivas de transmissão em tensões ultra-elevadas

enfatizaram outros dois tipos de perturbação do meio, provocados pelo efeito

corona, sendo lhes atribuído também caráter de poluição: a rádio interferência e o

ruído acústico.

A presença de efeito corona nos condutores de linhas de alta tensão pode

dar origem a ruídos acústicos. Do mesmo modo como no caso da RI, a

42 - Ricardo Micheletto Leão

intensidade deste ruído depende do gradiente de superfície do campo elétrico

nos condutores, do seu estado superficial e das condições atmosféricas.

A estes níveis de perturbações de RA se adicionam os níveis de tensão de

operação dos sistemas de transmissão, cujos valores começam a se tornar

importantes para tensões superiores a 300 kV, aproximadamente44.

Nos projetos de pesquisa sobre corona em tensões extra e ultraelevadas

se verificou, outrossim, que manifestações de RI não mais poderiam ser

desconsideradas, principalmente nas linhas de 500 kV ou tensões mais elevadas,

dado o caráter de poluição ambiental que apresenta. A poluição acústica

provocada pelo ruído característico e causada pelos eflúvios do efeito corona é

uma das manifestações. Esse aspecto também vem merecendo crescente

atenção no dimensionamento das linhas, a fim de que o grau de perturbação seja

mantido em níveis aceitáveis. Tais estudos mostraram que o ruído auditivo é

função dos máximos gradientes de potencial na superfície dos condutores.

Em vista do exposto, pode-se concluir que, para as linhas de transmissão

em tensões extra e ultra-elevadas, o dimensionamento econômico das linhas

está diretamente relacionado com a escolha do gradiente de potencial máximo

admissível na superfície dos condutores das linhas de transmissão. Gradientes

para uma mesma classe de tensão somente são reduzidos mediante o emprego

dos condutores de diâmetros maiores, ou maior espaçamento entre fases, ou

pelo emprego de condutores múltiplos, com número crescente de subcondutores,

ou pela forma com que são distribuídos sobre o círculo tendo como centro o eixo

do feixe.

Alternativamente, vem sendo pesquisado outro método para a redução da

rádio interferência e ruídos audíveis, como a colocação de espinas ao longo dos

condutores ou o seu envolvimento com capas de neoprene. A disposição dos

subcondutores em forma de polígono irregular também vem sendo investigada

como meio de reduzir os gradientes de potencial, e parece ser a forma mais

promissora: é possível encontrar uma posição para cada subcondutor na periferia

de um círculo, de forma que o gradiente em todos os subcondutores seja mínimo.

O emprego dos condutores múltiplos assimétricos tem apresentado problemas de

44 DESARROLLO SOSTENIBLE, Desarrollo Económico Respetuoso del Ambiente Natural Y

Social. República Argentina, 12 de março 1998. Disponível em

http://www.dsostenible.com.ar/leyes/resolucion-orig77-98.html. Acesso em 19 de setembro 2005.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 43

estabilidade mecânica sob ação do vento, e a melhor solução para este caso

poderá conflitar com a melhor solução para a distribuição de gradientes de

potencial45.

9 MEDIÇÃO DO RUÍDO DE RÁDIO

9.1 MEDIDORES DE RUÍDO DE RÁDIO

Para medir o verdadeiro nível de interferência em um dispositivo de

comunicação, o sistema de medidas deverá ter as mesmas características de

resposta do dispositivo de comunicação, com somente o estágio de sinal de

saída final modificado para medir os termos quantitativos de ruído. Entretanto,

como uma grande variedade de dispositivos de comunicação opera através da

banda de radiofreqüência, é praticamente impossível obter-se um caso ideal

numa investigação de ruído de LT. Por outro lado, segundo Comber e Nigbor46, é

muito desejável que os diferentes analisadores de ruído de linha de transmissão

usem instrumentos e técnicas similares. Desta maneira, pode-se obter resultados

satisfatórios por comparação entre os diferentes investigadores, tornando-se

valiosos para os projetistas de LT. Conseqüentemente, uma certa quantidade de

padrões pode ser fixada em ambas as áreas de procedimentos: instrumentação e

medição.

Um medidor de ruído de rádio é basicamente um receptor de rádio

calibrado que funciona como um voltímetro de radiofreqüência47. A Figura 9.1.1

ilustra um diagrama de blocos do sinal processado por um medidor de ruído de

rádio.

45 Efeito Corona - Engenharia Elétrica da UFES-Universidade Federal do Espírito Santo.

Disponível em http://www2.Icee.ele.ufes.br/x/professores/arquivos/45. Acesso em 10 setembro

2005.

46 Comber,M.G.; Nigbor,R.J.Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric Power

Research Institute. Palo Alto, CA.1982. p.206

47 IEC/CISPR-16; Specification for radio disturbance and immunity measuring apparatus

and methods - Part 1-5: Radio disturbance and immunity measuring apparatus - Antenna

calibration test sites for 30 MHz to 1 000 MHz .Out 1999. Métodos e especificações de

equipamentos de medição de perturbações rádio e imunidade, com testes para calibração de

antenas de 30 a 1000 MHz.

44 - Ricardo Micheletto Leão

Figura 9.1.1 - Sinal processado por um medidor de ruído de rádio.

Desta maneira, os pulsos separados em largura de radiofreqüência (1)

entram pelo medidor de RF. Cada pulso pode ser considerado como um gerador

de componentes de um espectro de freqüência. O amplificador de RF amplifica a

pequena porção deste espectro. O sinal de saída é um trem de pulsos modulado

pelo oscilador local. O envelope de pulsos tem um pico de amplitude A que é

proporcional à largura de banda do amplificador e uma largura W que é

inversamente proporcional à largura de banda.

No misturador, a freqüência do pulso oscilatório é convertida em uma

freqüência intermediária IF. Os pulsos, então, passam através do amplificador de

IF, cujo sinal de saída é novamente um trem de pulsos oscilatórios (2). Neste

estágio, a largura e a amplitude do pico são determinadas pela banda mais

estreita do circuito. Os pulsos, assim, entram pelo detector (3), onde são

retificados e os filtros de saída das componentes de freqüência alta deixam o

envelope monopolar de pulsos (4), os quais são aplicados em weighting circuits

(circuitos de amostragem). Estes circuitos são considerados como parte do

detector e determinam se o voltímetro lê o pico do envelope, a média do

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 45

envelope ou alguns valores intermediários de quase-pico (5). Geralmente um

controle automático de ganho (AGC) é inserido no circuito, como mostra a Figura

8.1.1. Este dispositivo de AGC abaixa o ganho do amplificador de IF para sinais

muito largos (níveis de ruído), neste caso a deflexão do voltímetro é proporcional

ao logaritmo da amplitude do sinal de entrada. O voltímetro é calibrado para

indicar valores rms (root mean square), valores eficazes, em microvolts ou

decibel (dB), acima de 1 microvolt, de um sinal senoidal de entrada cuja

freqüência é igual à freqüência de sintonização do medidor, por exemplo, 1 MHz.

Os circuitos de amostragem, weighting circuits, são considerados como

parte do detector de sinais e são identificados pela seguinte terminologia:

detector de valores médios, detector de valores de pico e detector de valores de

quase-pico. Estes detectores são mostrados na Figura 8.1.2.

Figura 9.1.2 - Detectores de circuitos de amostragem.

Os detectores de valor médio, nos quais as medidas são obtidas ao longo

de um tempo médio dos sinais de entrada, são praticamente capazes de medir a

intensidade de campo das portadoras de radiofreqüência e não dependem da

modulação da portadora que, em média, ao longo do tempo, é zero. Por esta

46 - Ricardo Micheletto Leão

razão estes detectores também conhecidos como detectores de intensidade de

campo ou detectores de portadora48.

Os detectores de valor de pico são particularmente aplicados para

medições de ruídos repetitivos. Nestes casos a diferença entre a tensão do sinal

de entrada, V, e a tensão lida no medidor, V1, é retificada e aplicada na entrada

do amplificador de áudio. Neste caso, o sinal de saída é zero quando o V1 é

ajustado para o pico do sinal de entrada, V.

O detector de quase-pico é o mais comumente usado para medir o ruído

de radiofreqüência nas LT. A resposta do circuito é determinada pela constante

tempo de carga e descarga, RC e R1C, respectivamente. Se R1 é infinito, então

C pode se descarregar somente através da resistência R1, e o sinal de saída é o

pico do trem de impulso de entrada. Valores incômodos de qualquer ruído não

dependem somente do valor de pico, mas também da taxa de repetição dos

pulsos de ruído. Este ensaio foi primeiramente aplicado a ruídos audíveis por

Steudel49 e relatado por Davis50, o qual, analisando os medidores de níveis de

som capazes de medir os ruídos repetitivos, relata que “must have an appropriate

leak, for the loudness of a slow series of repetitions is less than that of a rapid

series51.

Por conseguinte, esse conceito de medidor de pico dos sinais de áudio foi

levado para o projeto de medidores de ruídos de rádio, e o produto final foi a

industrialização do circuito detector dos sinais quase-pico.

Por outro lado, pela revolução das comunicações devido à grande

quantidade de formas de comunicações de rádio existentes hoje em dia, é

improvável que o detector de quase-pico forneça dados de ruído apreciáveis para

avaliar todas as interferências destes equipamentos. A indústria de

telecomunicações atual está inclinada a adotar como padrão a medida de ruído

em rms, uma medida mais universalmente aplicada para problemas de

48 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J. Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA.1982. p.207.

49 STEUDEL,U. Hochfrequentztechnik und Elektroakustik. Vol.41, p.15.Alemanha Rew 2002.

50 DAVIS, A.H..An Objetive Noise Meter for the Measurement of Moderate, Loud, Steady and

Impulsive Noise. Jourrnal of the IEE. Londres, Inglaterra, Vol. 83,p.249-260. Rew 2003.

51 Deve ter um apropriado escoamento, para valores altos de ruído de uma série de repetições

lentas é menor do que para uma série rápida. DAVIS, A.H. An Objetive Noise Meter for the

Measurement of Moderate, Loud, Steady and Impulsive Noise. Jourrnal of the IEE. Londres,

Inglaterra.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 47

interferência nas comunicações. Nos últimos anos instrumentos em rms têm se

tornado mais comercializados na concepção ou de medidores únicos ou de

medidores modulados usados em conjugação com medidores de rádio ruído

existentes.

9.2 SISTEMA DE ANTENAS

Como os medidores de ruído de rádio são voltímetros de radiofreqüência

muito sensíveis, estes são capazes de medir frações de um microvolt. Para medir

campos de ruído de radiofreqüência os medidores devem ser usados em

conjunto com uma antena que é colocada na área do campo a ser medido. A

tensão de saída da antena é proporcional à intensidade de campo. A relação

entre estas duas quantidades vem a ser o fator da antena. Tipicamente, existe

uma considerável impedância de casamento entre a antena e o medidor de ruído

de rádio, e um circuito de acoplamento entre estes dois dispositivos, o qual é

geralmente requerido para prover ou uma máxima resposta do sistema para a

freqüência de medição, ou uma resposta plana sobre toda a gama de

freqüências.

As curvas do fator da antena, que incluem o efeito do acoplamento da

antena, são fornecidas pelo fabricante. Quando é requerida somente a detecção

do ruído sem uma medida quantitativa, outros sistemas de antenas especiais

podem ser usados. A antena Yagi e outras apresentam alta sensitividade e bom

direcionamento para as freqüências utilizadas e, portanto, são muito usadas

nestes casos.

9.3 MEDIÇÃO DO RUÍDO DA LINHA DE TRANSMISSÃO

Quando se mede o ruído de uma linha de transmissão uma particular

atenção deverá ser dada na escolha do local de posicionamento do medidor, na

calibração do instrumento de medição e no nível de ruído de fundo para garantir

que o nível de ruído de fundo não seja medido, bem como o número de outros

fatores que possam influenciar as medidas. Um bom guia para procedimento de

48 - Ricardo Micheletto Leão

medidas foi publicado pela norma padrão IEEE - 21352. Este guia mostra os

aspectos mais importantes da medição dos ruídos de rádio nas linhas de

transmissão na faixa de 15 kHz até 1 GHz.

Existem alguns itens que não são cobertos pelas normas, mas para efeito

de um bom programa de medição devem ser considerados53:

? Campos elétricos são facilmente perturbados pela presença de objetos

como: veículos, árvores, cercas e pessoas. Estes devem ser levados em

consideração quando da escolha da localização da antena.

? Calibração de uma antena, isto é, a determinação de seu fator de antena,

baseada em uma antena colocada acima de um perfeito plano condutor de

terra. O solo pode ser ou não um bom condutor de terra.

? Testes deverão ser realizados para garantir que as antenas estão livres do

efeito corona. Abaixo das linhas de alta tensão, o campo elétrico pode ser

suficientemente alto para conduzir o efeito corona pela extremidade da

antena. Uma caída abrupta do sinal no medidor quando uma pessoa se

aproxima da antena ou quando a antena é deslocada para mais longe do

seu local inicial é uma boa indicação da presença do corona na antena.

? O uso de fones de ouvido ou pequenos microfones, conectados nas

saídas de áudio dos medidores de ruído de rádio, pode ajudar na

determinação da leitura dos sinais de radiodifusão.

? Na faixa de radiodifusão de TV as freqüências dos sinais são bem

estabelecidas e podem ser facilmente evitadas. Na faixa de freqüências de

FM (88-108 MHz) pode ser mais difícil achar uma área limpa de ruídos.

Portanto, é melhor, se possível, evitar a faixa de FM. Uma freqüência entre

73 e 76 MHz é uma boa escolha para monitorar TVI (television

interference), desde que esteja em uma baixa faixa de VHF, entre os

canais de TV 4 e 5 e dentro de uma faixa de freqüência reservada para

rádio astronomia e navegação aeronáutica. Conseqüentemente, esta

freqüência é geralmente livre de sinais de grande amplitude.

52 IEEE-213, Standard Procedures for the Measurement of Radio Noise from Overhead

Power Lines. New York,N.Y.:I nstitute of Electrical and Electronic Engineers, 1976.Std. 430 - 197.

53 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J. Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. 1982. p.211.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 49

? Para 75 MHz, o comprimento de onda é somente de 4 metros. Uma

pequena mudança na posição de uma antena pode resultar em

significante troca nos níveis de ruído indicados. Medidas devem ser feitas

para diversas posições da antena, próximas de uma posição nominal para

verificar os valores máximos. A melhor aproximação seria fixar a posição

da antena e fazer medidas de ruído para diversas freqüências próximas à

freqüência nominal para verificar os valores máximos.

? Uma comparação da leitura do valor de pico e quase-pico pode ajudar na

determinação se o valor de ruído medido é ruído de corona, ou menor, ou

ainda de ruído de centelhamento. Com o ruído corona, o valor de pico lido

será somente levemente mais alto do que o de quase- pico (até cerca de 5

dB). Com o ruído de centelhamento grandes diferenças (até 15 dB ou

mais) são típicas.

9.4 NÍVEL DE INTERFERÊNCIA E QUALIDADE DE RECEPÇÃO

Os campos eletromagnéticos, incluindo os campos interferentes, são

geralmente expressos ou em µV/m (micro volts por metro) ou em decibel de

acordo com a seguinte relação:

(1)

Campo em decibel = 20 log (campo em µV/m)

Quando a componente magnética H do campo é medida usando uma

antena de loop, o campo eletromagnético é expresso em campo elétrico

equivalente E, em razão da relação constante E/H= 120 p ohms (impedância no

vácuo) existente entre as duas componentes do campo eletromagnético.

Portanto, um nível de interferência expressa como 46 dB, por exemplo,

corresponde a uma componente elétrica de 200 µV/m quando medido por um

receptor IEC/CISPR-1654, mesmo que a medida atual possa ter sido feita com

uma antena de loop55.

54 IEC/CISPR-16; Specification for radio disturbance and immunity measuring apparatus

and methods - Part 1-5: Radio disturbance and immunity measuring apparatus - Antenna

calibration test sites for 30 MHz to 1 000 MHz .Out 1999.

55 GARY,C.; HIRSCH,F. Interferences Produced By Corona Effect of Electric Systems.

Description of Phenomena Pratical Guide For Calculation. Grupo de trabalho 36.01.p.28.Set 1997.

50 - Ricardo Micheletto Leão

10 CONSIDERAÇÕES DE PROJETO DA LINHA DE TRANSMISSÃO

Nos Estados Unidos não existe regulamentação para níveis locais ou

federais que expressam o limite do nível de ruído de rádio que as linhas de

transmissão (LT) podem produzir. A FCC (Federal Communications Commission)

coloca as linhas de transmissão na categoria de dispositivo de radiação acidental,

definido como um dispositivo que irradia energia de radiofreqüência durante o

curso de sua operação, isto se o dispositivo não é designado para gerar energia

de radiofreqüência. Como tal a FCC56 requer que o dispositivo opere de modo

que a energia de radiofreqüência emitida não cause qualquer emissão, radiação

ou indução que venha prejudicar no funcionamento dos serviços de navegação

de rádio ou de outros serviços de segurança ou seriamente degradar, obstruir ou

interromper os serviços de radio comunicação. Se as companhias de serviço

público são obrigadas a seguir estas diretivas em projeto e operação das suas

linhas de transmissão, está bem claro que possuem uma grande liberdade para

determinar qual poderá ser o projeto mais favorável a ser executado.

Muitos fatores estão envolvidos na determinação do projeto mais

adequado para definir o melhor tipo de LT a ser implantado, incluindo a natureza

e os diferentes modos de ruído, as diversas opções de projeto, de modo a reduzir

os níveis de ruído, a evolução subjetiva dos efeitos de interferência do ruído, a

densidade populacional das áreas envolvidas, através das quais as linhas de

transmissão passam e ainda da avaliação da qualidade existente dos serviços de

comunicação de rádio nas proximidades.

10.1 CARACTERIZAÇÃO DO RUÍDO DE RÁDIO DA LINHA DE TRANSMISSÃO

O nível de ruído de rádio de uma linha de transmissão AC (corrente

alternada) será mais alto durante o tempo de chuva forte, quando os condutores

estão saturados com a queda de água sobre os mesmos, atuando como fontes

de corona. Por outro lado, serão mais baixos em tempo bom, quando o número

56 Federal Communications Commission. Federal Communication Commission Rules and

Regulations. Vol. II.Part 15, revisado em Maio 1975.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 51

de fontes de corona, tipicamente, insetos e partículas de vegetação, são

relativamente poucas.

Condições atmosféricas, desta forma, apresentam um papel

preponderante quando se estuda a característica de ruído de rádio nas LT. Nos

tempos chuvosos, de nevoeiro, com precipitações de orvalho, gotículas de água

se depositam na superfície dos condutores. Estes fatores são também

responsáveis na redução dos valores de tensão da linha.

O nível de rádio ruído de uma linha é sempre expresso como um número

referente a um particular conjunto de condições de medida, tais como: condições

climáticas, localização da medição, características do detector do instrumento de

medição e a freqüência de medida. Se, por exemplo, o nível de ruído

corresponde às condições de bom tempo, então a localização de um detector de

quase-pico que utiliza uma freqüência de medição de 1 MHz está colocado

lateralmente a 15 metros de uma fase externa da LT. Entretanto, estes

parâmetros são para uma simples medida de avaliação do ruído de linha como

uma interferência no sistema de comunicações. Para uma avaliação mais

criteriosa é necessário levar em consideração três outros fatores, tais como:

espectro de freqüência, perfil lateral da LT e a distribuição estatística das

condições do tempo sobre a LT.

O espectro de freqüência mostra a variação do nível de ruído como uma

função da freqüência de medição. A forma do espectro depende da forma dos

pulsos da corrente de corona e a extensão na qual estes pulsos são atenuados

por todo comprimento da linha. Assim sendo, a forma da corrente dos pulsos

varia com a função modal do corona. Em adição, a forma do espectro de

freqüência depende da distância de localização do medidor da LT. O espectro de

freqüências provenientes das medidas publicadas por Pakala e Chartier57 de um

ruído corona para diferentes localizações de medidas é mostradas na Figura

10.1.1.

57 PAKALA,W.E. ; CHARTIER,V.L..Radio Noise Measurements on Over Head Power Lines

from 2.4 to 800 kV. IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems, Vol. PAS-90. nº 3.Rew

Maio 2003.

52 - Ricardo Micheletto Leão

Figura 10.1.1 - Espectro de freqüências típico da rádio interferência produzida pelo efeito

corona.

O perfil lateral descreve como o nível de ruído cai com o aumento da

distância da linha de transmissão. A geometria da linha representa uma

importante parte na determinação da forma de como estudar o perfil lateral da LT.

O perfil de um circuito simples de configuração horizontal, por exemplo, difere em

forma de um circuito de configuração vertical. A uma distância moderada, todas

as alturas da linha próximas do ponto de medição influenciam na taxa na qual o

nível de ruído cai em relação à distância, a atenuação torna-se maior para linhas

com alturas mais baixas. Para longas distâncias, a forma do perfil lateral é

praticamente independente da geometria da linha. A freqüência de medição é

que definirá se a linha é de grande ou moderada distância. Para 1 MHz, por

exemplo, a transição da distância moderada para uma de longa distância é de

40-60 metros, ao passo que, para 100 MHz todas as localizações podem ser

consideradas como sendo de longa distância, “long distance”.

O nível de ruído de rádio varia com o tempo, principalmente com as

condições próprias do tempo, isto é, se o tempo apresenta-se bom, seco e com

baixa umidade ou se o tempo se caracteriza por um estado de chuvas fortes,

grande umidade, precipitações de flocos de neve, etc. Das condições de chuva

forte para as condições de tempo bom, os níveis podem variar de 25 a 30 dB.

Mesmo dentro de uma particular categoria das condições de tempo, tempo bom,

por exemplo, variações de 10 a 15 dB podem ocorrer simplesmente porque o

número de fontes corona mudam com o tempo. É possível descrever as

variações de ruído em termos estatísticos somente, por exemplo, pela curva de

distribuição de freqüência acumulativa. Estas curvas mostram a percentagem de

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 53

tempo que o nível de ruído está abaixo de um certo valor. O tempo total

representado pode compreender todas as condições de tempo ou categorias

particulares, tais como, chuva, neve ou bom tempo.

Todas as curvas de distribuição estatística de tempo exibem uma forma de

um S invertido. Os pontos de inflexão aparecem como função do percentual de

ocorrência das várias condições de tempo. A forma de S invertido pode ser

sempre aproximada pelas combinações de duas distribuições Gaussianas, uma

para tempo bom e outra para tempo ruim, como mostrado na Figura 10.1.2.58

Figura 10.1.2 - Distribuição de freqüência acumulativa do ruído de rádio em qualquer

tempo e aproximações pela distribuição Gaussiana

10.2 GEOMETRIA DA LINHA DE TRANSMISSÃO

Avaliando todas as opções possíveis para reduzir ou limitar todos os níveis

de rádio ruído produzidos por uma linha de transmissão, o projetista deverá ter

uma especial atenção na geometria da LT. Em termos gerais, qualquer

modificação na geometria da linha que resulte na redução do gradiente de tensão

na superfície dos condutores reduzirá os níveis de rádio ruído desta linha.

58 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J. Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. 1982. p.212.

54 - Ricardo Micheletto Leão

As configurações de uma LT são constituídas de circuitos simples e

circuitos duplos. No caso de circuitos simples, estes podem ter uma configuração

horizontal, vertical ou em delta, conforme mostra a Figura 10.2.1.

Figura 10.2.1 - Configuração dos condutores para caso de circuitos simples

Para o caso de circuitos duplos as configurações dos condutores são as

apresentadas na Figura 10.2.2.

Figura 10.2.2 - Configuração dos condutores para caso de circuitos duplos

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 55

Os parâmetros que têm maior influência nos níveis de rádio ruído são:

? Número de condutores em um feixe da fase.

? Diâmetro dos condutores da fase.

Um aumento de um ou de outro parâmetro resultará na diminuição do

rádio ruído. Por exemplo, um feixe de condutores de fase de 3 x 33 mm, o qual

deve ser usado para uma linha de 500 kV, produzirá menor ruído que um feixe de

condutores 2 x 41 mm, embora os dois feixes possuem a mesma quantidade de

material. O espaçamento dos condutores dentro do feixe produz um efeito muito

complexo nos níveis de ruído da LT. Qualquer conjunto de condutores tem um

espaçamento otimizado, acima ou abaixo destes valores o nível de ruído tende a

aumentar.

Aumentando o espaçamento entre as fases de um circuito simples de LT

diminuirá o gradiente de tensão dos condutores. Entretanto, este método não é

muito econômico, segundo Comber e Nigbor59. Para um circuito duplo de uma

LT, o conjunto resultante depende da extensão nas fases relativas dos dois

circuitos. Aumentando a altura da linha tem-se somente um pequeno efeito no

gradiente do condutor, mas pode ter, às vezes, efeito mais significante no perfil

lateral do ruído de rádio. Para distâncias muito grandes de linha, os níveis de

ruído podem ser aumentados além dos seus níveis originais.

10.3 CONDIÇÕES DE SUPERFÍCIE DOS CONDUTORES

Para orientação e controle do projetista de uma LT, as condições de

superfície do condutor apresentam uma importante parte na determinação dos

níveis de rádio ruído, tanto nas condições de tempo bom como de tempo de

chuva forte. Os níveis de ruído mais baixos são provenientes de condutores

limpos e secos. A acumulação de insetos e partículas de vegetais aumentará os

níveis de ruído de rádio nas condições de tempo bom. Similarmente, a ação do

ruído de rádio será prejudicada se a superfície dos condutores for arranhada ou

riscada, desde que estas irregularidades atuem como fontes de corona.

59 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J. Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. 1982.

56 - Ricardo Micheletto Leão

Entretanto, as condições de superfície de um condutor novo em tempo

ruim são importantes por outro ponto de vista. Os novos condutores geralmente

possuem uma parte da superfície gordurosa que devido à presença da água da

chuva provocam formações de gotículas em torno da superfície.

Conseqüentemente, nos condutores de feixe, as gotas de água, que são fontes

de corona, estão presentes na região de gradiente máximo em todos os

condutores do feixe. Em tempo ruim, os condutores energizados e expostos ao

tempo por alguns meses exibem uma diferente propriedade causada pelas gotas

de água, elas ficam localizadas no fundo dos condutores. Nestes casos, alguns

condutores do feixe conservam gotas de água nos pontos de máximo gradiente,

mas os níveis de ruído tendem a ser menores. Este efeito é particularmente

notado nos casos de chuva fraca e gradientes de superfície moderados e são

menos acentuados para os casos de gradientes altos ou chuvas fortes.

10.4 CRITÉRIOS DE RUÍDOS TOLERÁVEIS

Na prática não é correto dizer que um nível particular de ruído de uma

linha de transmissão cause ou não interferências, porque níveis de ruído

ambientais e intensidade de sinais recebidos representam importantes papéis em

todos os problemas de interferências. Uma linha considerada ruidosa em uma

área rural onde ambos, o ruído ambiental e a intensidade de sinais são baixos,

pode ser considerada moderada em uma área urbana onde a intensidade dos

sinais e o ruído ambiental são altos. Melhor do que usar níveis de ruído absolutos

como critério para níveis de interferência, é mais lógico utilizar mediadas

relativas, tais como relação sinal/ruído (SNR). Este parâmetro pode ser usado em

diversos estudos para mostrar o efeito do ruído nas linhas de transmissão na

faixa de rádio AM e na recepção da faixa de operação de TV. Embora o estudo

aqui apresentado é referido à rádio interferência (RI), valores aproximados são

utilizados para identificar as taxas de interferência de ruído em qualquer

dispositivo de comunicação60.

60 COMBER, M.G. ; NIGBOR,R.J. Radio Noise. Transmission Line Reference Book.Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. 1982. p.214.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 57

10.4.1 Relação Sinal/Ruído

A relação sinal/ruído, embora seja auto-explicativa, é definida como sendo

a relação entre a potência média do sinal, com uma dada largura de banda, e a

potência média do ruído na mesma largura de banda. Entretanto, para o caso da

RI, uma definição alternativa pode ser empregada: a relação da intensidade de

sinal, medida por um instrumento particular, neste caso, antena e medidor, e a

intensidade de campo do ruído na mesma localização.

A relação sinal/ruído é responsável pela inteligibilidade na recepção,

determinando a qualidade dos sistemas eletroeletrônicos e de telecomunicação.

Se um sinal, por exemplo, é recebido com intensidade de 5 mV/m numa

presença de ruído de 500 µV/m, a relação sinal/ruído neste caso será:

(2)

(3)

SNR=10

Sempre o SNR é expresso em termos de dB (decibel), portanto,

(4)

SNR= 20 log ( 10 ) = 20 dB

A intensidade do sinal e do ruído é comumente expressa em termos de

decibel e referida a 1 µV / m, isto é, dB acima de 1 µV/m, neste caso o SNR é

obtido pela subtração do nível de ruído (N) do nível do sinal (S), assim sendo:

(5)

58 - Ricardo Micheletto Leão

(6)

Então o SNR é dado por:

(7)

SNR = S – N = 74 – 54 = 20 dB

Para uma boa recepção de sinais de rádio, livres de interferências, é

necessário haver uma elevada relação sinal/ruído na entrada do receptor, a qual

pode ficar comprometida caso o nível de recepção dos sinais de rádio seja baixo

e as condições atmosféricas sejam propícias à geração de ruído em RF na LT.

De modo a garantir que os níveis dos diferentes tipos de ruído gerados por uma

linha de transmissão e equipamentos associados sejam mantidos abaixo dos

limites aceitáveis, são desenvolvidas técnicas de medição baseadas no conceito

de nível de referência de uma LT, que é a intensidade de campo medida na

freqüência de 500 KHz a 20 metros do condutor mais próximo da linha.

10.4.2 Tolerância da radiofreqüência

Os pesquisadores da rádio interferência em linhas de transmissão relatam

que existe uma certa correlação entre a relação sinal/ruído investigada e medida

com um instrumento de detecção de ondas quase de pico e a qualidade de

recepção do sinal. Baseado em listas de testes, usando o ruído proveniente das

linhas de transmissão, um comitê do IEEE apresentou uma curva de qualidade

de recepção do sinal versus quase de pico sinal, em que a relação sinal/ruído,

segundo Comberg e Nigbor, é definida como: “a reasonably good evolution of

effect of transmission-line radio noise on the quality of AM broadcast radio

reception61. Esta curva é mostrada na Figura 10.4.2.1, onde o eixo das

61 Uma razoável boa evolução do efeito do ruído de rádio proveniente das linhas de transmissão

na qualidade de recepção da faixa de freqüência de rádio em AM. IEEE Committee Report.

“Transmission System Radio Influence”. IEEE. Transactions on Power Apparatus and

Systems, Vol. PAS - 84, Nº 8, pp. 714 - 724.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 59

abscissas é graduado em decibel ajustado para SNRs de sinais médios para

ruídos quase de pico, enquanto que o eixo das ordenadas é graduado pela a

categoria dos níveis da qualidade de recepção do sinal. Normalmente, o valor

médio de um sinal está 3 dB abaixo de seu valor quase de pico. Se o limite de

tolerância é avaliado como sendo o ponto no qual a qualidade de recepção do

sinal torna-se menor do que o seu valor satisfatório, então o nível de interferência

de rádio quase de pico de uma LT deverá estar a 20 dB ou mais abaixo da

intensidade média do sinal desejado.

Figura 10.4.2.1 - Qualidade de recepção de rádio AM versus relação sinal/ruído.

Onde: A5 - Inteiramente satisfatório.

B4 - Muito bom.

C3 - Plenamente satisfatório.

D2 - Conversação fácil e inteligível.

E1 - Conversação inteligível com severa concentração.

F0 - Conversação ininteligível.

O problema de tolerância fica então restrito à percentagem da relação

sinal/ruído, que originalmente poderia ter sido considerada aceitável, mas que

pela introdução do ruído de linha torna-se inaceitável. Geralmente, somente são

considerados os sinais das estações de rádio difusão que caem dentro da área

60 - Ricardo Micheletto Leão

chamada de área primária de cobertura. A FCC (Federal Communitions

Commission)62 definiu três áreas de cobertura:

? Área de serviço primário: a área na qual a onda de superfície não é objeto

de interferência contestável ou desvanecimento contestável.

? Área de serviço secundária: a área servida por ondas refletidas e não

objeto de interferência contestável ou variações em intensidade.

? Área de serviço intermitente: a área de serviço de recepção das ondas de

superfície, entretanto, além da área de serviço primário, e objeto de

alguma interferência e desvanecimento.

Deve ser salientado que a determinação do nível de ruído da linha de

transmissão depende de muitos fatores não menos importantes do que aqueles

apresentados devido às condições de tempo.

Desta forma, todo o problema da determinação do ruído proveniente da LT

e de evoluções perturbadoras deve ser estudado do ponto de vista estatístico63.

11 METODOLOGIA APLICADA

Para a execução de cálculos e posteriormente implantação das linhas de

transmissão de alta-tensão deve-se levar em consideração as influências que

estas ocasionam em sistemas de rádio utilizados nas proximidades, bem como

analisar os efeitos causadores de perturbações eletromagnéticas de modo a

preservar as condições do meio ambiente.

O estudo da função excitatriz, parte fundamental no desenvolvimento

matemático para o cálculo da RI, depende de dados como geometria da LT,

diâmetros dos condutores, gradiente elétrico superficial, bem como das condições

de superfície dos condutores e condições atmosféricas, como chuva e sol. Essa

análise permitirá que o fenômeno perturbador seja instável e flutuante.

62 Federal Communitons Commission. - Federal Communitions Commission Rules and

Regulations, Vol III. Rev. Abril 2001.

63 MARUVADA, P.S.; TRINH, N.G. A Basis for Setting Limits to Radio Interference from High

Voltage Transmission Lines. IEEE. Transactions on Power Apparatus and Systems, Vol. PAS-

94, Nº 5, Setembro de 1975, pp. 1714-1724.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 61

Diversos exemplos analíticos são elaborados neste trabalho de modo a

definir parâmetros mínimos que deverão ser seguidos para que se possa otimizar

o procedimento de execução e implementação das linhas de transmissão.

A Electricité de France, no centro de pesquisas de Lês Renardières64,

concluiu que nas condições de chuva forte o nível de perturbação

eletromagnética mantém-se estável, definido e reproduzível. Tal fato permitiu que

fossem traçadas curvas fornecendo valores para a função excitatriz em função do

gradiente superficial dos condutores, o que simplificou sobremaneira os cálculos

analíticos. Assim sendo, a função excitatriz pode ser decomposta, numa primeira

etapa, em três partes:

1. Gradiente superficial máximo dos condutores.

2. Raio dos condutores individuais.

3. Quantidade de condutores existentes no feixe.

A segunda etapa leva em consideração os estudos das modas de

propagação de Clark65.

Em um ponto qualquer da linha de transmissão, o campo perturbador é

formado pela corrente total de alta freqüência que circula nos condutores. Para

tanto, esta corrente deve ser encontrada para que se possa prosseguir nos

cálculos das rádios interferências.

Verificou-se que os cálculos poderiam ser simplificados se fosse adotada a

matriz das modas normalizadas de Clark, bem como valores experimentais de

atenuação das linhas.

Ademais, para se obter resultados mais rápidos na análise da rádio

interferência e do estudo dos perfis laterais dos campos no solo, utiliza-se os

valores equivalentes do campo elétrico, estabelecendo então um campo elétrico

fictício situado numa certa profundidade do solo, que depende da resistividade do

mesmo e da freqüência dos testes.

A metodologia desenvolvida segue as normas nacionais e internacionais

de cálculo e considera todos os fatores incidentes na construção de linhas que de

64 Direction des Études et Recherches (DER) da EDF - Electricité de France, Estudo dos Serviços

Sobre Matérial Eléctrico, situado em Clamart, e dos Laboratórios de Ensaio de Alta Tensão,

situados nas Renardières.

65 CLARK, C.F.; LOFTNESS, M.O. Some Observations of Foul Weather EHV Television

Interference. IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems.Vol. PAS-90, Nº 6, Rew

Julho/Agosto 1989, pp 1157 - 1168.

62 - Ricardo Micheletto Leão

alguma forma estão sujeitas a interferências de rádio, principalmente causadas

pelo efeito corona66.

A terceira e última etapa da metodologia utilizada determina o nível final de

campo elétrico perturbador causado principalmente pelo efeito corona e

resultante dos valores obtidos na determinação da função excitatriz, definida na

primeira etapa deste trabalho, e pelo campo elétrico, segundo as modas de

propagação de Clark.

Na parte final, o trabalho apresenta uma análise do comportamento da

rádio interferência mediante o nível de recepção do sistema eletroeletrônico nas

imediações, de modo a preservar a qualidade do sinal recebido.

11.1 MODELO ANALÍTICO PARA CÁLCULO DA RÁDIO INTERFERÊNCIA

Desde que foi reconhecido que o ruído de rádio, devido ao efeito corona

nas linhas de transmissão, colocou um potencial ameaçador de modo a

enfraquecer a recepção dos sinais de rádio difusão em AM, várias propostas têm

sido formuladas para o cálculo dos níveis de rádio interferência. Talvez a melhor

compilação dos métodos em uso foi a apresentada em 1973 pelo relatório do

Comitê do IEEE67. Este relatório identifica duas classificações gerais de técnicas

de cálculo: métodos comparativos e métodos analíticos. Todos os métodos

comparativos têm a mesma forma geral: compara-se os dados medidos de uma

linha nova, com uma determinada geometria, com os dados medidos de uma

linha tomada como referência, cuja geometria é conhecida e para a qual as

medidas já foram avaliadas e os fatores de correção já foram aplicados. A

fórmula geral para este caso será:

(8)

E= E0 + Eg + Ed + En + ED + Ef + Ew

Onde E é o nível de rádio interferência a ser determinado, E0 é o nível de

RI da linha de referência, e os demais termos são fatores de correção ou

66 COSTA, G. J. C. Contribuição ao Estudo de Rádio Interferência. P. Alegre. CEEE, outubro,

1987.

67 IEEE Committee Report. Comparison of Radio Noise Prediction Methods with CIGRE/IEEE

Survey Results. IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol. PAS-92, nº 3. Rew

Mai 2001. pp 1092 - 1042.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 63

expressões de ajuste, em dB. Os ajustes dependem das seguintes variáveis

correspondentes ao valor de referência:

? Gradiente de superfície do condutor, g.

? Diâmetro dos condutores, d.

? Número dos condutores do feixe, n.

? Distância da LT do medidor, d.

? Freqüência de medição, f.

? Condições do tempo, w.

Os métodos analíticos são considerados mais trabalhosos. Eles requerem

dados relativos à corrente injetada na unidade de comprimento da linha pelo

efeito corona e usa teoria da onda de propagação para calcular as correntes e

tensões de radiofreqüência na LT. Para isto, os campos de ruído de rádio nas

vizinhanças da linha são calculados. Os dados básicos de geração podem ser

obtidos dos testes de curto nos condutores em laboratório ou em testes de curto

nas linhas de transmissão.68

Ambos os métodos possuem vantagens e desvantagens.

As maiores vantagens do método comparativo são:

? Simplicidade: fatores de correção podem ser avaliados por uma

calculadora científica.

? Exatidão: se os dados de referência são bons e as suas variações são

pequenas.

As maiores desvantagens do método comparativo são:

? Inexatidão: variações em relação ao caso de referência são grandes.

? Inflexibilidade: os métodos são geralmente aplicados somente para um tipo

de linha para a qual os dados de referência são avaliados.

As maiores vantagens do método analítico são:

? Flexibilidade: os métodos podem ser usados para prognosticar o

desempenho do ruído de qualquer geometria de linha, independente do

número de circuitos.

68 COMBER,M.G.; NIGBOR,R.J. Radio Noise.Transmission Line Reference Book. Electric Power

Research Institute. Palo Alto, CA.1982. p.217

64 - Ricardo Micheletto Leão

? Geração rápida de dados: geração de dados pode ser obtida por qualquer

geometria do condutor ou por aceitação de um condutor que nunca foi

testado.

A maior desvantagem do método analítico é a sua complexidade; detalhes

computacionais são muito envolventes e trabalhosos.

O presente estudo foi desenvolvido levando em consideração o método

analítico por ser mais flexível, mais consistente e mais dinâmico. Por outro lado,

um grande número de testes, resultado de muitos anos de pesquisa, possibilita

obter resultados com boa exatidão.

11.1.1 Geração da rádio interferência

A presença da rádio interferência proveniente de uma linha de transmissão

é determinada por duas propriedades da linha: geração e propagação.

A geração de corona começa pelos efeitos observados de RI, causando

pulsos de corrente que são injetados nos condutores. Estas correntes e as

tensões associadas e ainda os campos eletromagnéticos se propagam pela linha,

resultando em grandes distâncias sujeitas à rádio interferência a partir de um

ponto de geração.

Correntes, tensões e campos de RI em qualquer ponto ao longo da linha

são usualmente o resultado de contribuições de diferentes pontos desta linha. No

caso da RI produzida por um condutor corona, as contribuições são provenientes

de uma seção elementar da linha. Entretanto, a RI, resultante de centelhamentos

nas ferragens, é composta de contribuições bem definidas de pontos discretos ao

longo da linha. Portanto, o cálculo da RI envolve propagação de correntes e

tensões ao longo de um sistema de condutores paralelos. A natureza do

problema é mostrada na Figura 11.1.1. Uma fonte de RI que está em uma

pequena seção da linha de transmissão provocada por corona ou por

centelhamento do isolador é injetada em uma fase das três fases da linha de

transmissão em relação a uma posição remota do ponto de medida, P. Esta fonte

estabelece um conjunto de correntes e tensões de RI na linha, que por

conveniência de análise são componentes senoidais de correntes e tensões

pulsativas para freqüências nas quais os instrumentos de recepção são

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 65

sintonizados. As correntes e tensões produzem um campo eletromagnético

resultante que se propaga no espaço ao redor da linha e em particular apresenta

algum valor para o ponto de medida P. Em geral, a determinação da intensidade

de campo em P é complicada pelo fato que as gerações ocorrem não somente

em uma fase, mas também em todas as três fases da linha, e não em um ponto

simples ao longo da linha, mas ao longo de todas as seções da linha, em ambas

as direções do ponto P.

Para freqüências de RI ao redor de 1 MHz, os comprimentos das ondas de

propagação são geralmente maiores do que as dimensões da linha, altura e

espaçamento entre fases, e também maiores que a distância da linha ao ponto

de medição. Conseqüentemente, o campo pode ser considerado quase estático e

os cálculos dos campos de RI para qualquer localização dentro da vizinhança da

linha pode ser determinado de maneira similar a das intensidades dos campos

eletrostáticos, usando tensões de radiofreqüência em condutores em lugar de

tensões de potência de freqüências. Assim sendo, para fontes de RI ao longo de

todas as seções da linha, o problema é efetivamente reduzido para determinação

das tensões de radiofreqüência na linha em ponto oposto à localização da

medição69.

Figura 11.1.1 - Propagação de correntes de RI sobre um sistema de condutores

paralelos.

69 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J. Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. 1982. p.218.

66 - Ricardo Micheletto Leão

11.1.1.1 Função de geração da rádio interferência

Para o cálculo da RI de uma linha de transmissão, o efeito corona é

quantitativamente expresso em termos da função de geração de RI, G . Durante

anos em que projetos de UHV eram essencialmente uma pesquisa em linhas de

transmissão de uma única fase, um grande número de geometrias de diferentes

condutores foi testado, tanto em linhas aéreas como em laboratórios de testes.

Os dados de RI coletados durante testes foram usados para desenvolver uma

fórmula geral que pudesse ser usada no cálculo das funções de geração para

qualquer configuração de condutores de uma LT. A quantidade de geração

independe da geometria do solo e depende somente das condições de campo

elétrico na vizinhança imediata dos condutores sob teste. Se as condições de

campo elétrico ao redor de um condutor em uma das três fases da linha são

reproduzidas ao redor de um condutor similar sob teste em um laboratório ou em

uma linha sob teste, então a geração de corona por unidade de comprimento é

também reproduzida. Portanto, a função de geração determinada sobre uma

simples fase pode ser usada como ponto de partida para o cálculo de RI nas três

fases da LT.

11.1.1.2 Condutor simples acima do solo

A propagação de corrente e tensão é primeiramente demonstrada para o

caso de um condutor simples. Isto é, um simples condutor acima do solo pode ser

representado por uma impedância série, Z, por unidade de comprimento, e uma

admitância paralela distribuída, Y, por unidade de comprimento da LT. A Figura

11.1.1.2.1 representa uma seção elementar de condutor simples acima do solo.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 67

Figura 11.1.1.2.1 - Seção elementar de um condutor simples acima do solo.

A Figura 11.1.1.2.1 apresenta uma seção elementar de comprimento ?Z

do condutor. As equações para esta seção elementar são:

(9)

[ v - (v + ?v ) ] = Z. ?Z ( i + ?i )

(10)

[ i - ( i+ ?i ) ] = Y?z . v

No limite ?z se aproxima de zero e (10) torna-se equação diferencial:

(11)

A equação diferencial de segunda ordem de (11) será:

(12)

As equações (11) e (12) caracterizam a propagação de corrente e tensão

ao longo da linha de transmissão. Segundo Comberg e Nigbor70, os campos

70 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J:. Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. 1982. p.218.

68 - Ricardo Micheletto Leão

proporcionados pela corrente e tensão como função da distância de propagação

ao longo da linha z, podem ser definidos como:

(13)

Onde a constante de atenuação da linha, a, é obtida pela relação:

(14)

A equação (12) representa a tensão e corrente em um ponto, z, da linha

de transmissão. Para z = o, a tensão será Vo e a corrente io. Para uma geração

de corona uniformemente distribuída sobre todo comprimento da linha, a corrente

total de RI para qualquer ponto de uma linha infinitamente grande é dado por:

(15)

Sendo C, a capacitância em relação ao solo da linha por unidade de

comprimento e e, a permissividade do espaço livre e, ainda, G, a função de

geração de RI da linha. Então, a correspondente tensão de RI é dada por:

(16)

V = Zo.I

Onde Zo é a impedância característica da linha. Assim sendo, a

intensidade de campo de RI em relação ao solo para uma distância lateral, x, da

linha de transmissão será dada por:

(17)

Onde µ é permeabilidade do espaço livre, H, a altura da linha em relação

ao solo e, r, o raio do condutor, que no caso de um feixe de condutores será o

raio equivalente do feixe.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 69

A intensidade de campo de RI de um feixe de condutores de uma linha

infinita acima do solo é mostrada na Figura 11.1.1.2.2, em termos de dB, acima

de 1µV/m, por unidade de geração de RI e uma atenuação de linha, a , de 3,1

dB/km. A figura mostra as curvas de intensidade de campo de RI para alturas da

linha em relação ao solo de H = 15 m, H = 20 m e H = 25 m. A figura não leva em

consideração os fatores de atenuação, a, e de geração, G, que variam até um

certo ponto com a altura da linha. Entretanto, este efeito é pequeno e as curvas

podem ser admitidas como representativas. Pode-se notar que existe uma

distância lateral para a qual a intensidade de campo é praticamente independente

da altura da linha.

Figura 11.1.1.2.2 - Perfil lateral de RI por unidade de geração de um feixe de condutores

em relação ao solo.

Esta análise adotou uma LT de altura uniforme e comprimento infinito. Na

prática, a altura da linha varia com a flecha do condutor e com o nível do terreno.

Estas variações são resolvidas com o emprego de algumas alturas equivalentes,

usualmente considera-se uma altura média. Para fins de cálculos se admite a

altura da linha mais um terço da flecha.

Praticamente uma linha pode ser considerada infinita se o ponto de

medição está a 8 km ou mais de uma terminação ou troca brusca de direção, na

qual os pontos de reflexão das ondas de propagação podem ser desprezíveis. A

70 - Ricardo Micheletto Leão

contribuição para a intensidade de campo de fontes que estão a mais de 8 km de

distância é insignificante71.

11.1.1.3 Linhas de múltiplas fases

A equação (12) pode ser reescrita para linhas de múltiplas fases,

resultando em matrizes para corrente e tensão da forma:

(18)

(19)

Para um sistema de n condutores [ V ] e [ i ] são matrizes coluna de ordem

n, enquanto que [ Y ] e [ Z ] são matrizes quadradas (n x n). As equações

diferenciais podem ser resolvidas de maneira similar a de um condutor simples.

Desta forma, as matrizes (18) e (19) podem ser escritas da seguinte

maneira:

(20)

(21)

71 LAFOREST, J.J.: The Effect of Station Radio Noise Sources on Transmission Line Noise

Levels, IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol PAS-84, Nº 9, pp 833-838.

Rev. Maio 1998.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 71

Onde:

(22)

(23)

A determinação dos fatores exponenciais de atenuação e da subseqüente

extensão da análise para incluir gerações de RI sobre toda a linha faz estas

aproximações muito abrangentes. Uma análise mais conveniente para o modo de

propagação em múltiplas fases pode ser realizada usando a técnica de

transformação modal.

Quando se analisa um circuito de potência de três fases, é comum

considerar as correntes desbalanceadas das três fases da linha serem

compostas de três conjuntos de componentes balanceadas, isto é, as

componentes seqüenciais positivas, negativas e zero. A impedância e a

atenuação presentes em cada um dos modos são diferentes. As correntes e

tensões de propagação de RI são tratadas de maneira análoga, usando

diferentes conjuntos de modos de propagação.

A teoria da análise modal com vários graus de simplicidade tem sido

descrita por Hedmann72 e Perz73 . Análises mais complexas são estudadas para

as perdas naturais dos condutores e da condutividade finita do solo e determinam

como estes fatores afetam a atenuação das ondas de propagação ao longo da

linha. Uma análise mais simples usa a técnica de transformação modal para

casos de linhas de menores perdas e condutividade do solo infinita e levam em

72 HEDMANN, D.E.: Propagation on Overhead Transmission Lines-Theory of Modal

Analysis, IEEE Transactions of Power Apparatus and Systems. Vol PAS-84, pp 200-211. New

Rew Abril 2000.

73 PERZ, M.C.: Natural Modes of Power Line Carrier on Horizontal Three Phase Lines. IEEE

Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol PAS-83, pp 679-686. New Rew Maio 2000.

72 - Ricardo Micheletto Leão

consideração as constantes de atenuação determinadas ou por cálculo para uma

certa classe de linha ou por medidas já realizadas74.

Os modos pelos quais as correntes são resolvidas são mostrados na

Figura 11.1.1.3.1. Ademais, existem diversas razões para se tratar as

propagações por meio de modos. Os motivos mais evidentes para esta afirmação

são:

- Os modos são independentes, isto é, eles não interagem;

- Cada modo tem a sua própria impedância;

- Cada modo tem a sua própria constante de atenuação;

- Cada modo pode ser tratado separadamente e após ser combinado com

os demais através de uma transformação de retorno para as quantidades

de fase iniciais.

Figura 11.1.1.3.1 - Modos de propagação: (a) modo 1; (b) modo 2 e (c) modo 3.

74 ADAMS, G.E., LIAO, T.W., POLAND M.G., TREBBY, F.J.: Radio Noise Propagation and

Attenuation on the Bonneville Power Administration McNary-Ross 345 kV line. AIEE

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 73

A velocidade de propagação será diferente para os vários modos, mas

para a análise de RI este efeito não é praticamente considerado.

Intuitivamente, pode-se suspeitar que a atenuação será baixa para o

modo 1, desde que o sinal se propague em todos os três condutores. Será alta

para o modo 2, desde que somente dois condutores sejam envolvidos e mais alta

ainda para o modo 3, desde que a corrente de retorno flua através da resistência

de solo. A atenuação será na ordem de 0,1, 1,0 e 5,0 dB/milha para os modos 1,

2 e 3 respectivamente.

Cada modo envolve um diferente conjunto de condutores e o solo.

Existirão tantos modos de propagação quantos condutores envolvidos.

Com linhas de três fases e dois condutores terra, existirão 5 modos de

propagação. Os modos que envolvem os condutores terra podem ser

substituídos por um conjunto equivalente de condutores fase sem os condutores

terra. Se cada condutor fase for composto de um feixe de subcondutores, haverá

modos envolvendo todos os subcondutores. Estes modos não são importantes

porque os subcondutores no feixe são interconectados em intervalos freqüentes,

permitindo que todos os modos no feixe sejam equalizados.

As equações (18) e (19) podem ser escritas, segundo Barthold, La Forest

e Schlomann75 na seguinte forma:

(24)

(25)

Onde e são respectivamente vetores de tensão e corrente e [?]

a matriz das constantes de atenuação. Para um circuito simples de um sistema

de três fases pode se escrever que:

Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol 78, Par. III , pp 380-388. Rew. April 2002.

75 BARTHOLD, L.O; LAFOREST, J.J.; SCHLOMANN: Radio Frequency Propagation and

Attenuation on The American Electric Power Dequine- Olive 345 kV Line. AIEE Transactions

on Power Apparatus and Systems. Vol 79, Par. III, Junho 1960, pp 303 - 309.

74 - Ricardo Micheletto Leão

(26)

Isto representa três equações diferenciais independentes de segunda

ordem, uma para cada modo de propagação. Cada equação tem uma solução da

forma:

(27)

Onde o índice m refere-se ao número do modo. Equações similares

existem para as tensões modais.

Para qualquer ponto em análise, quantidades de fase podem ser

transformadas em quantidades modais76, e vice-versa, pela aplicação de

apropriada matriz de transformação. Por simplificação, a mesma matriz de

transformação é aplicada para correntes e tensões. Então:

(28)

Onde [P] e [M] representam as matrizes de fase e das quantidades

modais, corrente e tensão, respectivamente e [S] é a matriz de transformação

modal.

As etapas básicas para determinação do campo de RI devido ao efeito

corona nas linhas de transmissão de múltiplas fases, supondo que a matriz de

transformação modal e as constantes de atenuação da linha são conhecidas,

são:

1 - Determinação da magnitude das três correntes geradoras de corona, G.

Uma, para cada fase, o que resulta em uma matriz de fatores de geração por:

76 CLARK, C.F.; LOFTNESS, M.O.: Some Observations of Foul Weather EHV Television

Interference, IEEE Transactions of Power Apparatus and Systems. Vol PAS-90, Julho e Agosto

1989.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 75

(29)

2 - Determinação da corrente, io, em cada condutor em um ponto z = 0 da

linha, ao longo da linha, devido à geração de corona no condutor, através de:

(30)

Onde [C] é a matriz das capacitâncias, igual à matriz inversa dos

coeficientes de potencial de Maxwell77.

3-Determinação da tensão inicial de fase a partir da corrente inicial de fase por:

(31)

|Vo| = |Zo| |io|

Onde [Zo] é a matriz impedância característica da LT.

Se não existem perdas, cada termo de [Zo] terá uma componente real e

uma componente imaginária. A menos que as perdas ou a freqüência sejam

muito altas, a parte imaginária pode ser desconsiderada e impedância

aproximada da matriz de impedâncias de menores perdas, dada por:

(32)

|Zo| = 60 |A|

Onde [A] é uma matriz quadrada (n x n) dos coeficientes de potencial de

Maxwell e definida pelas equações (43) e (44) e pela Figura 11.1.1.3.2.

77 MAXWELL, J.C.: A Treatise on Electricity and Magnetism. Oxford University Press, New York,

Rew 2003.

76 - Ricardo Micheletto Leão

Figura 11.1.1.3 2 - Sistema de n fases com relação ao solo.

4 - Transformação da tensão de fase inicial para tensão modal inicial, Vom

,

através de:

(33)

Onde é a inversa da matriz de transformação modal de [S].

Determinar os termos da matriz de transformação [S] requer achar os autovetores

da matriz [B], dado por:

(34)

[B] = [Y] [Z]

Onde [Z] é a impedância série da linha e [Y] é a admitância paralela da

linha.

5 - Determinação da magnitude da tensão modal para um ponto z da linha,

ao longo da linha, pela seguinte expressão:

(35)

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 77

Onde: am, é a constante de atenuação obtida de:

(36)

6 - Transformação para se voltar a ter a tensão de fase, V, por:

(37)

7 - Determinação da intensidade de campo de RI, ek, para uma distância

lateral da linha, devido à tensão, V, por:

(38)

Onde [F1 F2 F3] é a matriz de fatores de campo, a qual depende da

geometria da linha e é definida pela expressão (42) e Figura 11.1.1.3.2.

8 - Integração sobre todo o comprimento da linha para determinar a

intensidade de campo total, Ek, devido à distribuição uniforme da corona no

condutor, pela seguinte expressão:

(39)

9 - Avaliação das contribuições de cada fase da linha Ea, Eb e Ec para

achar a intensidade de campo final de RI, levando em consideração a seguinte

regra do CISPR78:

Sendo, Ea = Eb = Ec, se Ea for maior , igual à Eb, de um valor igual a + 3

dB, então:

(40)

Em = Ea

78 CISPR: Radio Interference Measuring Apparatus for the Frequency Range 0,15 MHz to 30 MHz.

Genova, Suíça, Publicação 1, Rev 2003.

78 - Ricardo Micheletto Leão

Caso contrário, fazer:

(41)

Onde Ea e Eb são os dois mais altos entre os três valores de campo

elétrico da rádio interferência.

Para o cálculo das matrizes dos fatores de campo [F1], [F2] e [F3] e ainda

da matriz dos coeficientes de potencial de Maxwell [A], segundo Comber e

Nigbor,79 utiliza-se a Figura 11.1.1.3. 2 e as seguintes expressões:

(42)

(43)

(44)

11.1.1.4 Geração da rádio interferência para o caso de chuva forte

Para o caso particular de um condutor com gradiente de tensão de

superfície, a função de geração de RI no caso de chuva forte de um feixe de n

condutores com diâmetro d (cm) é dada por:

(45)

G(n, d) = Gr + 38 log (d/ 3,8) + Kn

79 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. 1982. p.221.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 79

Onde Gr é a geração da RI no caso de chuva forte referida a um condutor

com diâmetro de 3,8 cm e Kn o fator de ajuste que depende do número de

condutores no feixe.

Na Figura 11.1.1.4.1 a geração de referência Gr é dada como uma função

do gradiente de tensão do condutor. O gradiente referido é o gradiente máximo

médio do feixe de condutores, que é definido como sendo a média aritmética de

todos os gradientes máximos de cada condutor no feixe.

Figura 11.1.1.4.1 - Função de geração de RI no caso de chuva forte.

Como a função de geração de RI é obtida através dos dados medidos de

RI, ela dependerá das características dos instrumentos de medição. Neste caso,

a função de geração de RI se refere a um instrumento de medição, denominado

de detector de quase- pico com largura de banda de 5 kHz e freqüência de

medição de 1 MHz.

Uma boa aproximação da curva da Figura 11.1.1.4.1 é dada por:

(46)

Gr =78- 580 / E dB acima

Onde E é o gradiente de superfície do condutor.

80 - Ricardo Micheletto Leão

A função de geração é virtualmente independente do número de

condutores no feixe para até 8 condutores, de acordo com LaForest80. Para mais

do que 8 condutores, um fator de ajuste deverá ser aplicado. O fator de ajuste Kn

assume os seguintes valores:

(47)

Kn = 0 dB para n menor ou igual a 8 condutores.

(48)

Kn = 5 dB para n maior do que 8 condutores.

As expressões (45) e (46) indicam que, para um feixe no qual o número e

o diâmetro dos condutores são fixados, a função de geração varia somente com

a média do gradiente máximo do feixe. Ainda que este valor seja bom para os

feixes convencionais, nos quais o espaço entre os condutores está na ordem de

10 a 20 vezes o diâmetro do condutor, ele começa a perder sua validade quando

o espaço torna-se maior ou menor. O maior erro ocorre para espaços muito

pequenos. Isto acontece porque a geração de corona de um condutor em um

feixe é função não somente do gradiente máximo do condutor, mas também da

distribuição do gradiente em redor da superfície do condutor. Esta distribuição

pode ser caracterizada muito bem pelo parâmetro k, que é a relação do gradiente

máximo no condutor de superfície pela média dos gradientes no condutor. Para

feixes, nos quais os condutores são igualmente espaçados, k é dado

aproximadamente por:

(49)

K = 1 + (n – 1) . d / D

Onde n e d são o número e o diâmetro dos condutores no feixe, e D é o

diâmetro do feixe.

80 LAFOREST, J.J. The Effect of Station Radio Noise Sources on Transmission Line Noise Levels,

IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol PAS-84, Nº. 9, Rew Mai 1998, pp 833-

838.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 81

11.1.1.5 Geração da rádio interferência para o caso de tempo bom

Observações foram feitas dos níveis de RI para o caso de tempo bom. O

resultado da análise, em uma primeira edição, definiu como satisfatório os níveis

de RI para tempo bom simplesmente subtraindo 22 dB dos níveis achados para o

caso de chuva forte81. Mais tarde, entretanto, estes níveis foram considerados

altos, principalmente, se forem adotados condutores de diâmetros maiores. Como

conseqüência, uma outra aproximação foi admitida por ser considerada mais real,

isto é, subtraindo 17 dB do cálculo realizado para níveis de RI com condutores

úmidos. Outrossim, a IEEE concorda com valores entre 14 a 20 dB.82

11.1.2 Propagação da rádio interferência

11.1.2.1 Constantes de atenuação

As constantes de atenuação modal são calculadas para cada tipo de

geometria de linha. A constante de atenuação depende do número de

subcondutores no feixe e do nível de tensão da linha.

A combinação de modificações dos parâmetros da LT, tais como, o

aumento do número de subcondutores do feixe, a redução do diâmetro desses

subcondutores e o aumento do diâmetro do feixe produzirá um conjunto de

resultados que pode aumentar a atenuação modal e reduzir a impedância modal

da linha. Estas trocas estão na ordem de 3 a 4 %, tanto para a atenuação como

para impedância da linha. O efeito no campo da RI calculado é de magnitude

menor do que aquele causado pela função de geração de rádio interferência.

Para o caso de linhas verticalmente dispostas e em configuração delta

foram achados valores maiores de variação de suas constantes de atenuação,

81 KNUDSON, Niels: Corona Power Losses on Bundle Conductors. Elteknik, nº 4. New rew

2003.

82 IEEE Committee Report. Comparison of Radio Noise Prediction Methods with CIGRE/IEEE

Survey Results, IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol PAS-92, Nº 03, pp.

1029 - 1042. Rev. Mai 2001.

82 - Ricardo Micheletto Leão

segundo Adams83, em suas pesquisas sobre propagação e atenuação dos ruídos

de rádio provenientes das linhas de alta tensão.

A variação das constantes de atenuação modal com a resistividade do

solo foi estudada pelo cálculo de constantes de atenuação de 10 diferentes linhas

de transmissão de configuração horizontal com resistividade de solo em torno de

50 a 1000 ohms. Condutores terra não foram considerados nos cálculos de modo

a refletir somente a influência da resistividade do solo. As constantes de

atenuação calculadas foram normalizadas para uma resistividade do solo de 100

ohms. O resultado é mostrado na Figura 11.1.2.1.1. As curvas normalizadas

desta figura podem ser usadas, segundo Comber e Zaffanella84, para corrigir

constantes de atenuação modal por efeitos da resistividade do solo.

Figura 11.1.2.1.1 - Efeito da resistividade do solo sobre as constantes de atenuação.

11.1.2.2 Estatísticas da rádio interferência

Para a determinação das perturbações da RI provenientes de linhas de

transmissão é necessário saber como a rádio interferência está presente em um

período de tempo. Se algumas estatísticas da performance da RI nas três fases

83 ADAMS, G.E.; LIAO, T.W., POLAND M.G.; TREBBY, F.J.: Radio Noise Propagation and

Attenuation on the Bonneville Power Administration McNary-Ross 345 kV line. IEEE

Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol 78, Par. III, pp 380-388. Rew Project 2002.

84 COMBER, M.G.; ZAFFANELLA. Audible Noise Reduction by Bundle Geometry

Optimization, IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol. PAS. 92, Outubro 1973.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 83

da linha é avaliada, como é descrito no relatório CIGRE85, computar os valores

estatísticos da RI de um período muito pequeno de duração de testes está longe

de ser satisfatório. Entretanto, uma distribuição estatística simplificada é proposta

por Cortina, Serravalli e Sforzini86 em seus relatos sobre rádio interferência.

Os valores estatísticos deverão levar em consideração as condições de

tempo de uma região de interesse para análise. As amostras deverão passar

pelas condições de tempo ruim e de tempo bom. Incluídos na categoria de tempo

ruim estão os períodos de chuva, umidade, neve e cerração. Todas as outras

condições podem ser consideradas de tempo bom.

O nível de chuva forte é definido, segundo Gary e Moreau87, como sendo a

média dos valores medidos nas condições de chuva forte, isto é, mais intenso do

que precipitações de 1 mm por hora.

Segundo Moreau, não se deve confundir chuva forte com o máximo nível

de perturbação da linha de transmissão, porque o nível de chuva forte não

ultrapassa um por cento do tempo máximo de perturbação, como mostrou em seu

documento preparado para o grupo de trabalho 36.01:

Le niveau fortes pluies ne doit pás être confondu lê niveau

perturbateur maximal de la ligne. Ce dernier qui peut être defini

comme la valeur du niveau perturbateur qui n’est dépassée que

pedant 1% du temps, eat obtenu à partir de la distribution

statistique tous-temps dês niveaux88

Para entender a relação entre o nível relativo às perturbações

eletromagnéticas e o nível de precipitação, no caso de chuva forte deve-se

observar a Figura 11.1.2.2.1.

85 IEEE Committee Report. CIGRE/IEEE Survey on Extra High Voltage Transmission Line Noise.

IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol PAS-92, Nº 3, pp 1019-1028. Rev. Maio

2001.

86 CORTINA, R.; SERRAVALLI, W.; SFORZINI, M. Radio Interference Long Term Recording on an

Operating 420-kV Line. IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol PAS-89, pp

881-892. Rew Jan 1999.

87 GARY, C.; MOREAU, M.: Predetermination of the RI level of high voltage transmission lines:

Part II-Field calculating method. IEEE Summer Meeting, Portland, Oregon, N. Rew 2002.

88 O nível de chuva forte não deve ser confundido com o nível máximo de perturbação da linha.

Este definido como sendo o nível de perturbação no qual é somente excedido por 1% do tempo, é

obtido a partir da distribuição estatística de todos os níveis de tempo.MOREAU, M. IEEE.

Document établi par le Groupe de Travail: 36.01 (Perturbations). Summer Meeting Portland,

Oregon, 1988.

84 - Ricardo Micheletto Leão

Figura 11.1.2.2.1 - Nível de ruído de rádio em relação ao nível de chuva forte.

11.2 APLICAÇÃO DO CÁLCULO DA RÁDIO INTERFERÊNCIA

Para melhor ilustrar a aplicação do cálculo da rádio interferência

proveniente de uma linha de transmissão de três fases, desenvolveu-se um

estudo analítico capaz de exemplificar o objetivo do presente trabalho e trazer um

conteúdo apreciável na obtenção do campo elétrico final da rádio interferência

principalmente oriundo do efeito corona.

Serão abordados dois exemplos práticos com diferentes configurações

capazes de assegurar resultados importantes para as conclusões pertinentes à

rádio interferência.

Primeiramente será considerada uma linha de transmissão de 230 kV de

configuração vertical dos condutores de fase e após uma linha de transmissão de

500 kV de configuração horizontal.

Os exemplos aqui mencionados servirão de amostra para qualquer outra

configuração que se fizer necessária para estudos de implantação de linhas de

transmissão junto a áreas urbanas onde poderão estar presentes equipamentos

eletroeletrônicos e equipamentos de telecomunicação nas proximidades.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 85

11.2.1 Rádio interferência proveniente de uma linha de 230 kV trifásica

Para o cálculo do campo da rádio interferência proveniente da linha de três

fases de 230 kV foi utilizado o programa MATHCAD de modo a tornar o

desenvolvimento matemático mais dinâmico.

O procedimento analítico apresentado nesta etapa do trabalho para o

cálculo do campo perturbador segue os desenvolvimentos descritos no capítulo

anterior.

A simulação foi criada a partir de dados de uma linha de transmissão

configurada abaixo e introduzida nas equações matemáticas estruturadas no

MATHCAD.

Características da linha de transmissão de 230 kV trifásica:

- Condutor singelo do tipo magnólia de 954 MCM, flecha de 3,0 m;

- Condutores colocados verticalmente um em relação ao outro;

- Raio equivalente do feixe: 14,28 mm;

- Freqüência de medição do detector de quase-pico: 1 MHz;

- Altura de fixação do primeiro condutor em relação ao solo: h1 = 15,10 m;

- Altura de fixação do segundo condutor em relação ao solo: h2 = 19,60 m;

- Altura de fixação do terceiro condutor em relação ao solo: h3 = 24,10 m.

Figura 11.2.1 - Disposição da LT de 230 kV em relação ao ponto de medição.

86 - Ricardo Micheletto Leão

11.2.1.1 Profundidade de penetração no solo

(50)

11.2.1.2 Coeficientes de potencial de Maxwell

(51)

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 87

Os elementos da matriz dos coeficientes de potencial de Maxwell são

calculados pelo programa MATHCAD e apresentados na Figuras 11.2.1.2.1. e

11.2.1.2.2.

Figura 11.2.1.2.1 - Cálculo dos coeficientes de potencial de Maxwell.

11.2.1.3 Matriz dos coeficientes de potencial de Maxwell

Figura 11.2.1.2.2 - Cálculo da matriz dos coeficientes de potencial de Maxwell.

88 - Ricardo Micheletto Leão

11.2.1.4 Capacitâncias próprias e mútuas

A matriz das capacitâncias próprias e mútuas é uma matriz inversa dos

coeficientes de potencial de Maxwell, mostrada na Figura 11.2.1.4.

Figura 11.2.1.4 - Cálculo das capacitâncias próprias e mútuas.

11.2.1.5 Impedâncias da linha de transmissão

A permeabilidade µ e a permissividade do espaço livre e são calculadas

por:

(52)

(53)

Para o cálculo da impedância série de uma linha de transmissão observase

as seguintes expressões:

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 89

(54)

Onde L é a indutância (henrys) por unidade de comprimento, C a

capacitância (farads) por unidade de comprimento e f a freqüência (hertz) de

medição da RI. Ademais, Z é a impedância série (ohms) por unidade de

comprimento e Y a admitância paralela (siemens ou mhos) por unidade de

comprimento, ?L a reatância indutiva e ?C a susceptância capacitiva, que valem

respectivamente:

(50)

XL = ?L = 2 p f L ?C = 2 p f C

Os elementos da matriz |R| (resistência série) são dependentes da

freqüência e resultam da soma da resistência de alta freqüência dos condutores e

dos termos de correção terra, earth-correction, que levam em consideração a

perda natural de terra, segundo Hedman89. Com a perda de terra aumentam os

valores dos termos de correção da matriz indutância. Entretanto, para freqüências

de rádio na ordem de 1 MHz, estes valores são relativamente pequenos e podem

ser desconsiderados com uma pequena perda de precisão. Para casos práticos,

os elementos da condutância paralela, G, são também muito pequenos e podem

ser desprezíveis. A matriz de transformação que resulta desta análise também

contém termos complexos. Entretanto, a parte imaginária é, em geral, uma ou

duas vezes menor em magnitude do que a parte real e pode ser praticamente

ignorada. Portanto, pode-se escrever que:

(56)

Z = 2pfL Y = 2pfC

Assim sendo, a matriz indutância e a matriz capacitância são calculadas

pelo programa MATHCAD e apresentadas na Figura 11.2.1.5.1.

89 HEDMAN, D.E.: Propagation on Overhead Transmission Lines - Theory of Modal Analysis. IEEE

Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol PAS-84, Rew 2000, pp 200-211.

90 - Ricardo Micheletto Leão

Figura 11.2.1.5.1 - Cálculo das matrizes indutância e capacitância.

Por outro lado, a impedância série e a admitância paralela da LT são

calculadas e mostradas na Figura 11.2.1.5.2.

Figura 11.2.1.5.2 - Cálculo da impedância e da admitância da LT.

A impedância característica da LT deve ser calculada para se obter a

tensão inicial presente na linha de transmissão, segundo Comber e Nigbor90. O

valor da impedância característica, Zo, é mostrado na Figura 11.2.1.5.3.

90 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. p.221. Revised 1987.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 91

Expressões de impedâncias características e suas finalidades são, também,

apresentadas por Kraus91 em seu estudo sobre eletromagnetismo.

Figura 11.2.1.5.3 - Cálculo da impedância característica da LT.

11.2.1.6 Cargas elétricas dos condutores

A equação eletrostática em termos de tensões de fase e cargas tem sido

apresentada na literatura de Clarke92, Calabrese93 e Westinghouse94 como

sendo:

(57)

91 KRAUS, J.D.: Electromagnetismo - Ingeniería Eléctrica - El Ateneo, Buenos Aires, p 424.

Fourth Edition, New York: MacGraw-Hill,1992.

92 CLARK, E.Circuit Analysis of AC Power Systems, vol 1 pp 373-375, 434- 442,New York: John

Wiley and Sons, Jan./Feb. 2001, pp. 218 - 222. 7.

93 CALABRESE, G.:Symmetrical Components.pp 289- 298, 371-380.New York:Ronald, Rew 1995.

94 WESTINGHOUSE: Electrical Transmission and Distribuition Reference Book, pp 749 - 752. East

Pittsburgh, Pa. Rew 2002.

92 - Ricardo Micheletto Leão

Onde q é a carga elétrica do condutor em coulombs por unidade de

comprimento, V o potencial do condutor, em relação à terra, em volts e A o

coeficiente de potencial de Maxwell, em metros por farad. Deste modo, as

Figuras 11.2.1.6a e 11.2.1.6b mostram os valores das cargas nos três condutores

de fase: q1, q2 e q3.

Figura 11.2.1.6a - Cálculo das cargas elétricas dos condutores.

Figura 11.2.1.6b - Cálculo das cargas elétricas dos condutores.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 93

11.2.1.7 Gradiente de superfície dos condutores

Os gradientes de superfície dos condutores nas três fases são

demonstrados na Figura 11.2.1.7.

Figura 11.2.1.7 - Cálculo do gradiente de superfície dos condutores.

11.2.1.8 Corrente de geração corona

Determinando as magnitudes dos três geradores de corrente corona, G,

uma para cada fase resulta em uma matriz diagonal dos fatores de geração, dado

por (29), como já foi visto neste trabalho. Desta feita, utilizando a equação (46)

definida anteriormente, pode-se calcular a geração corona nas três fases da

linha, tomando como referência o gerador corona Gr, para o caso de chuva forte

de um feixe de n condutores e diâmetro d (cm), como é demonstrado por

Comberg e Nigor95 e apresentado na Figura 11.2.1.8.

95 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987. p. 223.

94 - Ricardo Micheletto Leão

Figura 11.2.1.8 - Cálculo da geração de corona nas três fases da LT.

11.2.1.9 Corrente corona

A geração de corona em uma fase da LT produzirá correntes não somente

naquela fase, mas também em todas as demais fases. Para o caso de um circuito

simples, de uma linha de três fases, a densidade de corrente gerada é dada em

termos de uma função de geração individual, por:

(58)

Onde, segundo Comber e Nigbor96, pode ser escrita da seguinte maneira:

96 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987. p.258.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 95

(59)

Como:

(60)

Logo a corrente de corona, io, passará a ser:

(61)

Por conseguinte, pode-se calcular a corrente de corona como é mostrado

na Figura 11.2.1.9.

Figura 11.2.1.9 - Cálculo da corrente corona.

96 - Ricardo Micheletto Leão

11.2.1.10 Tensão corona

Para o cálculo da tensão de rádio interferência produzida pelo efeito

corona utiliza-se a expressão abaixo, em que estão relacionadas a corrente e a

impedância característica da linha97.

(62)

Vo = Zo . io Zo = 60 . A

Assim sendo, a tensão de geração corona é calculada pelo MATHCAD e

mostrada na Figura 11.2.1.10.

Figura 11.2.1.10 - Cálculo da tensão corona.

11.2.1.11 Matriz de transformação modal

Para calcular a matriz de transformação modal | S | requer que se

conheçam os autovalores e os autovetores da matriz | B |. A expressão (34)

define que a matriz | B | é o produto de duas matrizes: a da admitância e da

97 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. p. 259. Rew 1987.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 97

impedância da linha, isto é, | B | = | Y |. | Z |. Os termos que constituem a matriz

quadrada de B estão relacionados na Figura 11.2.1.11, os quais determinarão os

autovetores desta matriz, segundo Coberg e Nigbor,98.

Figura 11.2.1.11.1 – Determinação dos elementos da matriz | B |.

Os autovalores da matriz produto | Z |. | Y |, isto é, a matriz | B | , são

apresentados na Figura 11.2.1.11.2.

98 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987. p. 257.

98 - Ricardo Micheletto Leão

Figura 11.2.1.11.2 - Determinação dos autovalores da matriz | B |.

Os autovetores da matriz | B | são exibidos na Figura 11.2.1.11.3

Figura 11.2.1.11.3 - Determinação dos autovetores da matriz | B |.

A composição dos elementos da matriz de transformação modal | S | é

realizada tomando os valores resultantes para os três autovetores da matriz | B |

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 99

como foi definido por Comber e Nigbor99. Os cálculos da matriz de transformação

modal | S | e da sua matriz inversa são apresentados na Figura 11.2.1.11.4.

Figura 11.2.1.11.4 - Cálculo da matriz de transformação modal | S |.

11.2.1.12 Constantes de propagação modal

Os elementos diagonais da matriz | B |, ou seja, B11, B22 e B33, vão gerar

a matriz das constantes de propagação modal, ?. Para se determinar os termos

da matriz das constantes de propagação modal se considera a relação proposta

por Comber e Nigbor100 e apresentada na Figura 11.2.1.12.1.

99 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987. p.257.

100 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987. p.257.

100 - Ricardo Micheletto Leão

Figura 11.2.1.12.1 - Determinação dos termos da matriz das constantes de propagação

modal.

Sabendo-se que, de acordo com estudos sobre RI de Comber e Nigbor101,

a matriz das constantes de propagação modal possui a seguinte relação:

(63)

Então, utilizando o formulário já desenvolvido anteriormente se obtém:

(64)

Por outro lado, segundo Kraus102 em seu livro sobre eletromagnetismo, a

raiz quadrada do produto Z.Y é a constante de propagação de uma linha de

transmissão uniforme e infinita.

(65)

101 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987. p .256.

102 KRAUS, J.D.: Electromagnetismo, Purcell. Ed. McGraw-Hill, México, 1986.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 101

Outrossim, conhece-se, através de Clayton103 em seus estudos sobre

ondas planas uniformes, que a constante de propagação ? é um número

complexo que possui uma parte real, a, denominada de constante de atenuação,

e uma parte imaginária, ß, definida como constante de fase. Portanto, a constante

de propagação ? vale:

(66)

? = a + jß

A Figura 11.2.1.12.2 apresenta o cálculo da constante de propagação ?

para as três fases da LT.

Figura 11.2.1.12.2 - Cálculo da constante de propagação ? para as três fases da LT.

Ademais, como a parte imaginária é geralmente uma ou duas vezes menor

que a parte real, segundo conclusões de Comber e Nigbor104, em suas análises

sobre matrizes de transformação modal, esta parte pode ser desprezível,

resultando para as constantes de atenuação os seguintes valores:

103 CLAYTON, R.P: Electromagnetics for Engineers with Applications to Digital Systems and

Electromagnetic Interference. John Wiley & Sons. INC, 2004, p. 207.

104 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto , CA. Rew 1987. p. 258.

102 - Ricardo Micheletto Leão

(67)

11.2.1.13 Transformada modal da tensão de geração corona

A transformada modal da tensão de geração corona vom da rádio

interferência para um ponto do campo elétrico da linha de transmissão é definida

por Comber e Nigbor105 e apresentada na Figura 11.2.1.13.

Figura 11.2.1.13 – Cálculo da transformada modal da tensão de geração corona.

11.2.1.14 Fatores de atenuação

Parte da tensão modal de geração corona se propagará em uma direção

do ponto de geração e outra parte em outra direção ao longo da linha. Para uma

105 COMBER, M.G.; NIGBOR,R.J:. Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, Rew 1987.p. 259.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 103

distância, z, cada componente modal terá sido atenuada de um valor de tensão

modal de campo elétrico da LT, segundo Comber e Nigbor106, valendo:

(68)

Onde: é a matriz diagonal dos fatores de atenuação e am é a

parte real da constante de propagação complexa modal, denominada de

constante de atenuação modal. A parte imaginária da expressão (69) é

desconsiderada por ser muito menor do que a parte real.

(69)

?m = am + jßm

Os valores das tensões modais podem ser transformados novamente em

tensões de fase , como mostra a expressão (70).

(70)

Ademais, para se determinar os elementos da matriz dos fatores da

atenuação considera-se para os valores de atenuação modais da LT, em uma

freqüência de medição de 1 MHz, como sendo:

(71)

A matriz dos fatores de atenuação, AL, será formada e calculada, desta

feita, e os resultados apresentados na Figura 11.2.1.14.

106 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA, Rew 1987. p. 259

104 - Ricardo Micheletto Leão

Figura 11.2.1.14 – Cálculo da matriz dos fatores de atenuação.

11.2.1.15 Campo elétrico da rádio interferência das três fases da linha de

transmissão

A geração de corona em uma única fase provocará elevação das tensões

v11, v21 e v31, determinadas por (70). Estas tensões estão em fase, uma em

relação à outra, resultando num campo de RI em relação ao solo na primeira fase

da linha de:

(72)

e1 = e11 + e21 + e31

Por outro lado, cada valor de campo elétrico de RI para cada fase da LT,

segundo Comber e Nigbor107, vale:

(73)

107 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA, Rew 1987. p. 259

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 105

Sendo q1 a carga na primeira fase da LT, devido ao efeito corona, h1 a

altura da primeira fase da linha em relação ao solo e x a distância lateral da fase

ao ponto de observação.

A equação eletrostática (74), em termos de tensão de fase e cargas, tem

sido adotada nas literaturas sobre sistemas de potência elétrica por Clarke108,

Calabrese109 e Westinghouse110 e desenvolvida por Coberg e Nigbor111, como

sendo:

(74)

Onde q é a carga do condutor, v o potencial do condutor e A o coeficiente

de potencial de Maxwell. Substituindo os valores correspondentes em (73) obtémse:

(75)

Assim sendo, o valor do campo elétrico da RI para a primeira fase da LT

valerá:

(76)

108 CLARK, E. Circuit Analysis of AC Power Systems, vol 1 pp 373-375, 434 - 442, New York:

John Wiley and Sons, Jan./Feb. 2001, pp. 218-222. 7.

109 CALABRESE, G: Symmetrical Components. pp 289 - 298, 371-380.New York: Ronald, Rew

1995.

110 WESTINGHOUSE: Electrical Transmission and Distribuition Reference Book, pp 749-752.

East Pittsburgh, Pa. Rew 2002.

111 COMBER, M.G. NIGBOR,R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987, p. 259.

106 - Ricardo Micheletto Leão

Portanto, o campo elétrico de RI na primeira fase da linha de transmissão,

segundo a expressão desenvolvida por Comberg e Nigbor112 , será:

(77)

Onde | F | é uma matriz diagonal dos fatores de campo, | A | é a matriz

quadrada dos coeficientes de potencial de Maxwell, |A|-1 é a matriz quadrada das

capacitâncias próprias e mútuas, | S | é a matriz quadrada de transformação

modal, | AL | é a matriz dos fatores de atenuação e G1 é o gerador de corona na

primeira fase da LT.

Outrossim, o fator de campo F é definido segundo Comber e Nigbor da

seguinte maneira:

(78)

Onde h é altura da fase em relação ao solo e x a distância lateral do ponto

de medição à fase mais externa da LT.

Para efeito de cálculo e apresentação desta análise, a distância lateral à

LT será fixada em 15 metros. Outrossim, salienta-se que qualquer outro valor de

x poderá ser inserido na expressão (78) que o programa do MATHCAD executará

automaticamente, recalculando todos outros valores para o campo elétrico de

rádio interferência. Assim sendo, os fatores de campo elétrico F1, F2 e F3 são

calculados e mostrados na Figura 11.2.1.15.1.

112 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987. p. 259

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 107

Figura 11.2.1.15.1 - Cálculo da matriz dos fatores de campo elétrico da RI.

O valor do campo elétrico da RI, devido ao corona, em um ponto localizado

em uma fase da LT é calculado e mostrado na Figura 11.2.1.15.2.

Figura 11.2.1.15.2 - Cálculo do campo elétrico de RI em um ponto da LT.

A intensidade de campo elétrico da rádio interferência, devido ao efeito

corona, distribuída uniformemente sobre todo o comprimento da LT e para uma

fase da linha, estendendo-se para ambas as direções do ponto de observação ou

108 - Ricardo Micheletto Leão

medição, conforme descreve Comberg e Nigbor113, é calculada e mostrada na

Figura 11.2.1.15.3a. e na Figura 11.2.1.15.3b.

Figura 11.2.1.15.3a - Cálculo do campo elétrico da RI em todo o comprimento da LT,

campos E1 e E2.

Figura 11.2.1.15.3b - Cálculo do campo elétrico da RI em todo o comprimento da LT,

campo E3.

113 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987. p. 260.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 109

11.2.1.16 Campo elétrico final da rádio interferência

Respeitando o que foi desenvolvido sobre o campo elétrico final da RI e,

conseqüentemente, especificado em (40) e (41), e ainda observando as

recomendações do CISPR114, chega-se a diversos valores para o campo elétrico

final, no caso de chuva forte, os quais estão mencionados no Tabela 11.2.1.16.1,

para diversas distâncias do ponto de medição.

Tabela 11.2.1.16.1 - Cálculo do campo elétrico final da RI no caso de chuva forte da LT

230 kV.

Os valores de intensidade de campo elétrico são sempre expressos em

termos de decibel e referidos a 1 µV/m.

Para efeito de comparação dos campos elétricos finais da RI, com o tempo

de chuva forte, nas três fases da LT, elaborou-se o Gráfico 11.2.1.16.1.

114 CISPR-1: Specification for Radio Interference Measuring Apparatus for the Frequency Range

0,15 MHz to 30 MHz. Geneva, Suíça, Rev 2003.

110 - Ricardo Micheletto Leão

Gráfico 11.2.1.16.1 - Campo elétrico da RI, com o tempo de chuva forte, nas três fases

da LT 230 kV.

O Gráfico 11.2.1.16.2 mostra mais detalhadamente a influência da rádio

interferência com a proximidade da linha de transmissão.

Gráfico 11.2.1.16.2 – Campo elétrico final da RI com chuva forte da LT 230.

Valores para o campo elétrico da RI, no caso de tempo bom, foram

calculados respeitando as normas do IEEE115 e são apresentados na Tabela

115 IEEE Committee Report. Comparison of Radio Noise Prediction Methods with CIGRE/IEEE

Survey Results, IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol PAS-92, Nov. 2002.

pp. 1029 - 1042.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 111

11.2.1.16.2. Nesse caso foi considerado 17 dB abaixo dos valores calculados

para o caso de tempo com chuva forte.

Tabela 11.2.1.16.2 - Comparação do campo elétrico final da RI com chuva forte e tempo

bom da LT 230 kV.

O campo elétrico final da RI no caso de tempo bom é mostrado no Gráfico

11.2.1.16.3.

Gráfico 11.2.1.16.3 – Campo elétrico final da RI com o tempo bom da LT 230 kV.

112 - Ricardo Micheletto Leão

Os campos elétricos finais da RI, tanto para o tempo de chuva forte como

para o tempo bom, são mostrados no Gráfico 11.2.1.16.4.

Gráfico 11.2.1.16.4 - Campos elétricos finais da RI com tempo de chuva forte e tempo

bom da LT 230 kV.

As normas da ANATEL116 estabelecem que as emissoras de radiodifusão,

na faixa de áudio, devem apresentar um valor mínimo de campo elétrico de 10

mV/m em equipamentos utilizados em zona urbana, ou seja, 80 dB quando

convertido para uma referência de microvolts por metro, como já foi mencionado

neste estudo. Portanto, a magnitude do sinal de rádio difusão vale:

(79)

Pela norma NBR 7876 da ABNT117, as interferências provenientes de

fontes externas deverão ter um nível tão baixo quanto possível, preferivelmente

de 10dB abaixo da recepção do nível do sinal de áudio. No entanto, pelos

critérios adotados de tolerância de radiofreqüência apresentados neste estudo e

116 ANATEL: Agência Nacional de Telecomunicações. Resolução nº. 237 - Regulamento para

Certificação de Equipamentos de Telecomunicações. Novembro 2000.

117 NBR 7876. Medição da Rádio Interferência na faixa de 0,15 a 30,0 MHz Em Linhas e

Equipamentos de Alta Tensão, S.Paulo. 1983.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 113

normalizados pelo IEEE118, o nível de interferência do campo pertubador de uma

LT deverá estar 20 dB, ou mais, abaixo do sinal de recepção de áudio dos

equipamentos eletroeletrônicos e de telecomunicações utilizados nas imediações,

com o intuito de preservar a qualidade do sinal das emissoras de radiodifusão. A

Tabela 11.2.1.16.3 mostra os valores da relação sinal nível de ruído proveniente

da linhas de alta tensão de 230 kV.

Tabela 11.2.1.16.3 - Relação Sinal Ruído LT 230 kV.

Portanto, para este caso específico de uma linha trifásica de 230 kV, com

condutores colocados verticalmente em relação ao solo, não é aconselhável o

uso de equipamentos eletroeletrônicos e equipamentos de telecomunicações a

distâncias inferiores a 15 metros da LT.

Para melhor visualizar os níveis de sinal de áudio em relação aos níveis de

rádio interferência proveniente da linha de transmissão de 230 kV, motivo dessa

análise, é apresentado o Gráfico 11.2.1.16.5 que mostra até que ponto os níveis

de ruído do campo perturbador de RI são aceitáveis em relação à distância lateral

da LT.

118 IEEE Committee Report. “Transmission System Radio Influence”, IEEE. Transactions on

Power Apparatus and Systems, Vol. PAS- 84, Nº 8, pp. 714 - 724. Rew 1989.

114 - Ricardo Micheletto Leão

Gráfico 11.2.1.16.5 - Níveis de RI aceitáveis em relação ao nível de áudio.

Conclui-se mais aproximadamente que, pelo Gráfico 11.2.1.16.5,

distâncias inferiores a 11 metros, no caso de chuva forte, pior caso, não devem

estar dispostos os equipamentos de áudio, receptores, equipamentos de

telecomunicação, medidores, instrumentos de precisão, porque estariam sujeitos

às perturbações eletromagnéticas provenientes do efeito corona.

11.2.2 Rádio interferência proveniente de uma linha de 500 kV trifásica

O desenvolvimento matemático deste exemplo segue o mesmo

encaminhamento dado para o caso anterior de uma linha de 230 kV.

Neste exemplo a simulação foi gerada a partir de dados de uma linha de

transmissão de 500 kV, configurada abaixo, e utilizando-se o ambiente do

programa MATHCAD.

As características da linha de transmissão de 500 kV, trifásica, são as

seguintes:

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 115

- Nome da linha: Cholia-Saguaro-Arizona-USA

- Comprimento da linha: 1743 km

- Projeto: NESC Light & Heavy

- Estrutura: tipo 5L9

- Condutores: tipo ACSR, colocados horizontalmente um em relação ao

outro.

- Afastamento entre os condutores: 10 metros.

- Raio equivalente do feixe: Re = 2,42 cm.

- Resistividade do solo: ? = 100 ohms.metro.

- Freqüência de medição do detector de quase-pico: 1 MHz.

- Altura de fixação dos condutores em relação ao solo: h1 = h2 = h3 = 14

metros.

Figura 11.2.2 - Disposição da linha de 500 kV em relação ao ponto de medição.

11.2.2.1 Campo elétrico final da rádio interferência

Os valores de campo elétrico final da RI no caso de chuva forte são

apresentados na Tabela 11.2.2.1.1, para diversas distâncias do ponto da LT ao

ponto de medição.

116 - Ricardo Micheletto Leão

Tabela 11.2.2.1.1 - Valores do campo elétrico final para 500 kV e chuva forte.

O Gráfico 11.2.2.1.1 mostra a comparação dos campos elétricos finais da

RI, no caso de chuva forte, para as três fases da LT.

Gráfico 11.2.2.1.1 - Campos elétricos da RI, no caso de chuva forte, nas três fases da LT

de 500 kV.

No Gráfico 11.2.2.1.2 é apresentado o campo elétrico final da RI para o

caso de chuva forte. Pode-se observar o grau de influência da rádio interferência,

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 117

devido ao efeito corona na linha de 500 kV, com a proximidade do ponto de

medição da LT.

Gráfico 11.2.2.1.2 - Campo elétrico final da RI com chuva forte em uma LT de 500 kV.

Os valores para o campo elétrico da RI, no caso de bom tempo, foram

calculados respeitando as normas do IEEE119 e mostrados na Tabela 11.2.2.1.2.

119 IEEE Committee Report. Comparison of Radio Noise Prediction Methods with CIGRE/IEEE

Survey Results, IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. Nov 2002.

118 - Ricardo Micheletto Leão

Tabela 11.2.2.1.2 - Comparação dos campos elétricos da RI com chuva forte e tempo

bom em uma LT de 500 kV.

O campo elétrico final da RI no caso de tempo bom de uma linha de 500

kV trifásica é mostrado no Gráfico 11.2.2.1.3, os valores calculados seguem as

recomendações das normas IEEE120 e NBR 7876121. Neste caso foram

considerados valores para o tempo bom 17 dB abaixo dos valores calculados

para tempo de chuva forte.

120 IEEE Committee Report. Comparison of Radio Noise Prediction Methods with CIGRE/IEEE

Survey Results, IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. Nov 2002.

121 NBR 7876. Medição da Radio Interferência na faixa de 0,15 a 30 MHz em linhas e

equipamentos de alta tensão, 1983.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 119

Gráfico 11.2.2.1.3 - Campo elétrico da RI com o tempo bom de uma linha de 500 kV,

trifásica.

Os campos elétricos finais da RI, tanto para tempo de chuva forte como

para o tempo bom, para uma LT de 500 kV trifásica são mostrados no Gráfico

11.2.2.1.4. Os valores apresentados são os constantes na Tabela 11.2.2.1.2.

Gráfico 11.2.2.1.4 - Campos elétricos finais da RI nos casos de chuva forte e tempo bom

de uma linha de 500 kV.

120 - Ricardo Micheletto Leão

As normas da ANATEL122 e da NBR 7876123 determinam que os valores de

campo elétrico de equipamentos utilizados em zonas urbanas tais como

medidores, receptores, etc., devem ter um valor mínimo de 10 mV/m, ou seja, 80

dB, quando convertido para uma referência de microvolts por metro. Outrossim, o

nível de ruído deverá estar 20 dB abaixo do sinal de recepção de áudio. Assim

sendo, elaborou-se a Tabela 11.2.2.1.3 para mostrar esses valores para uma LT

trifásica de 500 kV.

Tabela 11.2.2.1.3 – Relação Sinal Ruído de uma LT trifásica de 500 kV.

O Gráfico 11.2.2.1.5 mostra os valores de campo elétrico da RI devido ao

efeito corona em uma linha trifásica de 500 kV relacionados com os níveis de

sinal de áudio recomendados por norma.

122 ANATEL: Agência Nacional de Telecomunicações. Resolução nº. 237 - Regulamento para

Certificação de Equipamentos de Telecomunicações. Novembro 2000.

123 NBR 7876. Medição da Rádio Interferência na faixa de 0,15 a 30 MHz em linhas e

equipamentos de alta tensão, 1983.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 121

Gráfico 11.2.2.1.5 - Níveis de RI em relação aos níveis de áudio para uma LT de 500 kV.

Conclui-se que os níveis de campo elétrico da RI superiores a 60 dB não

são aceitos por normas e se referem no Gráfico 11.2.2.1.5 a distâncias laterais de

14 metros para o caso de tempo com chuva forte e 10 metros para o caso de

tempo bom. Isto quer dizer que os receptores de áudio e outros equipamentos de

medição não devem estar a distâncias inferiores às determinadas neste estudo.

12 VALIDAÇÃO DA METODOLOGIA APLICADA

Para validação da metodologia aplicada, o presente trabalho será

confrontado com dois projetos já validados sobre rádio interferência.

O primeiro projeto desenvolvido pelo Eng. Gilberto José Corrêa da Costa

para a Cia. Estadual de Energia Elétrica (CEEE), denominado Contribuição ao

Estudo de Rádio Interferência para uma LT de 230 kV entre SEPA 6 e SEPA 4124.

Estes estudos foram baseados em dois trabalhos sobre rádio interferência, um

124 COSTA, G.J.C.; Contribuição ao Estudo de Rádio Interferência LT 230 kV - SEPA 6 e

SEPA 4. CEEE. S.G.-Depart. Proj. Elétricos. Out 1987.

122 - Ricardo Micheletto Leão

realizado Laforest125 e outro por Cladé e Gary denominado “Les perturbations

radioélectriques engendrées par les lignes de trnasport dénegie”126. A

modelagem matemática desenvolvida por Cladé e Gary foi submetida à análise

pela Sociedade Francesa de Engenharia e Aplicações Elétricas (SOFRELEC)127

que confirmou o nível de 230 kV para ser utilizado no trecho entre SEPA 6 e

SEPA 4, portanto validando o trabalho apresentado pela CEEE.

Desta forma, as tabelas e gráficos relacionados a seguir são provenientes

dos estudos realizados por Cladé e Gary para a LT de 230 kV entre SEPA 6 e

SEPA 4 as quais servirão como referência para comprovação dos valores

achados pela metodologia desenvolvida no presente trabalho.

Os valores dos campos elétricos monofásicos e campo elétrico final da RI,

para o caso de chuva forte, calculados por Cladé e Gary, são expressos na

Tabela 11.3.1. Os autores tomaram como exemplo uma LT de 230 kV com as

mesmas características daquela apresentada neste trabalho, item 11.2.1

denominado: Rádio interferência proveniente de uma linha de 230 kV

trifásica.

125 LAFOREST, J.J. The Effect of Station Radio Noise Sources on Transmission Line Noise

Levels, IEEE Transactions on Power Apparatus and Systems. Vol PAS-84, Nº. 9, Rew 1998. pp

833-838.

126 CLADÉ, J; GARY,C. Les perturbations radioélectriques engendrées par les lignes de

transport d´energie. RGE. Tome 75.nº 05 .Rew August 2001.

127 SOFRELEC, Societe Francaise d'Ingenierie et d'Applications Electriques. Sociedade

Francesa de Engenharia e Aplicações Elétricas. RCS Dijon B 409 423 274. Setember 2004.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 123

Tabela 11.3.1 - Valores dos campos elétricos monofásicos e final de uma LT 230 kV -

SEPA 6 e SEPA 4, de acordo com a metodologia de Cladé e Gary.

O gráfico correspondente aos valores da Tabela 11.3.1 é apresentado a

seguir:

Gráfico 11.3.1 - Campo elétrico final da RI de uma LT de 230 kV utilizando a metodologia

de Cladé e Gary.

124 - Ricardo Micheletto Leão

Pela metodologia desenvolvida neste trabalho os valores achados para a

LT de 230 kV são os apresentados na Tabela 11.3.2128.

Tabela 11.3.2 - Valores dos campos elétricos monofásicos e final de uma LT 230 kV -

SEPA 6 e SEPA 4, de acordo com a metodologia desenvolvida neste trabalho.

Pode-se observar que a diferença máxima entre uma metodologia e outra

não é maior do que 1,97% em todos os pontos calculados. A diferença maior

ocorre a uma distância lateral de 50 metros da fase da LT. Entre as distâncias de

15 a 35 metros do ponto de medição os campos elétricos da RI são praticamente

iguais tanto numa metodologia como na outra.

O gráfico correspondente aos valores achados pela metodologia aplicada

neste trabalho é mostrado a seguir:

128 Valores referentes aos campos elétricos monofásicos e final provenientes do desenvolvimento

matemático, através do programa MATHCAD. Trabalho sobre rádio interferência proveniente de

linhas de alta tensão. LEÃO, R.M. Capítulo 11.2.1 pág. 107. Dez. 2005.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 125

Gráfico 11.3.2 - Campo elétrico final da RI de uma LT de 230 kV utilizando a metodologia

deste trabalho.

Para que se possa confrontar as duas metodologias, foi elaborado o

Gráfico 11.3.3., denominado Campo elétrico final da RI, utilizando a metodologia

de Cladé e Gary e a metodologia desenvolvida por este trabalho.

126 - Ricardo Micheletto Leão

Gráfico 11.3.3 - Campo elétrico final da RI utilizando a metodologia de Cladé e Gary e a

metodologia desenvolvida por este trabalho.

Comparando os valores apresentados no Gráfico 11.3.3, conclui-se que

metodologia aplicada por este estudo se aproxima dos valores resultantes da

metodologia de Cladé e Gary129. Assim sendo, é possível utilizar o

desenvolvimento matemático proposto por este trabalho para o cálculo da rádio

interferência da LT de 230 kV.

Por outro lado, confrontou-se também o uso da metodologia desenvolvida

por este estudo com os trabalhos desenvolvidos por Comber e Nigbor130 sobre

uma linha de 1100 kV em seu livro de referências sobre linhas de transmissão de

alta tensão. Os autores usaram em seus estudos uma LT de 1100 kV com as

seguintes características:

- Tipo de LT: três condutores em configuração horizontal.

- Condutores tipo ACSR.

129 CLADÉ, J; GARY, C. Les perturbations radioélectriques engendrées par les lignes de

transport d´energie. RGE. Tome 75. Nº. 05. Rew August 2001.

130 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987. p. 244.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 127

- Número de condutores por fase: 8 condutores

- Afastamento entre os condutores: 15 metros.

- Raio dos condutores: R= 4,1 cm.

- Diâmetro do feixe de condutores: 122 cm

- Resistividade do solo: ? = 75 ohms.m.

- Freqüência de medida da RI: f = 500 kHz.

- Altura de fixação dos condutores em relação ao solo: h1 = h2 = h3 = 20

metros.

- Condições do tempo durante a medição: chuva forte.

Comberg e Nigbor construíram diversas curvas para determinar o nível de

RI de uma linha de 1100 kV. Através destas curvas levantadas com valores de

diversas medições determinaram os níveis dos campos elétricos monofásicos e

do campo elétrico final da RI. Compararam os valores calculados por computador

através de uma metodologia própria e concluíram que valores resultantes eram

bem próximos àqueles medidos.

A Tabela 11.3.3 mostra os valores medidos pelo método de Comberg e

Nigbor131.

Tabela 11.3.3 - Valores de campo elétrico final de RI de uma LT de 1100 kV pela

metodologia de Comberg e Nigbor

131 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987. p. 222.

128 - Ricardo Micheletto Leão

O Gráfico 11.3.4 mostra aos valores achados pela metodologia de

Comberg e Nigbor132.

Gráfico 11.3.4 - Campo elétrico final de RI de uma LT de 1100 kV pela metodologia de

Comberg e Nigbor.

Pela metodologia desenvolvida neste estudo os valores achados para a LT

de 1100 kV são os apresentados na Tabela 11.3.4.

132 COMBER, M.G.; NIGBOR, R.J.: Radio Noise. Transmission Line Reference Book. Electric

Power Research Institute. Palo Alto, CA. Rew 1987. p. 222.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 129

Tabela 11.3.4 - Valores dos campos elétricos monofásicos e final de RI de uma LT de

1100 kV pela metodologia desenvolvida por este trabalho.

Pode-se observar que a diferença máxima entre uma metodologia e outra

não é maior do que 3,42% em todos os pontos calculados. A diferença maior

ocorre a uma distância lateral de 5 metros da fase da LT. Entre as distâncias de

25 a 40 metros do ponto de medição os campos elétricos da RI são praticamente

iguais tanto numa metodologia como na outra.

O gráfico correspondente aos valores achados pela metodologia aplicada

neste trabalho é mostrado a seguir:

Gráfico 11.3.5 - Campo elétrico final da RI de uma LT de 1100 kV utilizando a

metodologia deste trabalho.

130 - Ricardo Micheletto Leão

Para que se possa confrontar as duas metodologias, elaborou-se o Gráfico

11.3.6. em que mostra as duas curvas dos campos elétricos finais: uma curva

utilizando a metodologia de Comberg e Nigbor e a outra curva mostrando a

metodologia aplicada neste estudo.

Gráfico 11.3.6 - Campos elétricos finais da RI pela metodologia de Comberg e Nigbor e

pela metodologia aplicada neste trabalho.

Comparando os valores do Gráfico 11.3.6, conclui-se que a metodologia

utilizada para o cálculo da RI de uma LT por este trabalho se aproxima dos

valores resultantes da metodologia de Comberg e Nigbor. Assim sendo, é

possível utilizar o desenvolvimento matemático proposto por este trabalho para o

cálculo da rádio interferência da LT de 1100 kV.

Posto isto, podemos concluir que a metodologia desenvolvida neste

estudo para o cálculo da rádio interferência proveniente de uma linha de

transmissão de alta tensão é válida para qualquer LT com qualquer tensão.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 131

CONCLUSÃO

O estudo sobre rádio interferência vem sendo realizado desde o começo

do século passado quando Peek133 analisou o efeito corona, mais tarde pelo

Holm134, Ryan e Henline135, todos preocupados com o reflexo desse agente

perturbador em equipamentos de radiodifusão e outros usados nas imediações

das linhas de transmissão.

Sob este aspecto, outros estudos se sucederam por muitos anos. Todos

os analistas são unânimes em afirmar a complexidade não só do entendimento

sobre esta matéria, mas também em desenvolver um método analítico que viesse

comprovar a existência da rádio interferência proveniente das linhas de alta

tensão.

Nesse contexto, somente com o desenvolvimento analítico de Clark e

Loftness136, usando a técnica da transformação modal, foi possível chegar a

valores mais apreciáveis dessas interferências.

De qualquer forma, o desenvolvimento matemático é relativamente grande,

emprega um número muito elevado de fórmulas, tornando, de certa forma, difícil

a compreensão, que só permite uma significativa interpretação pela construção

de gráficos referentes aos valores equacionados.

Dentro desse argumento analítico, o presente trabalho apresenta, em sua

parte final, gráficos que mostram até que ponto é possível admitir os níveis de

rádio interferência provenientes de LT, de modo que seus efeitos não venham

desqualificar a recepção do sinal em equipamentos usados nas imediações das

linhas de transmissão.

Por estas razões é importante a padronização dos procedimentos tanto de

medida quanto de ensaio de interferência para que as conclusões possam ser

133 PEEK, F.W. Dielectric Phenomena in High Voltage Engineering, Third Edition, McGraw-Hill

Book Company, Inc., 1929, pp.28-31, 48-108, 386. Located in Falvey Library, Villanova University,

Villanova, PA: TK3401. P3. Rew 2004.

134 HOLM, R. Theory of Corona. Archiv fur Elektrotechnik, vol 18, pp567-582, Alemanha. Rev

1999.

135 RYAN, H.J.; HENLINE, H.H. Hysteresis Character of Corona Formation. AIEE Transactions

Power Apparatus and Systems, vol. 43, pt III, Stanford University. Edition Nov. 2003

136 CLARK, C.F.; LOFTNESS, M.O. Some Observations of Foul Weather EHV Television

Interference. IEEE Transactions Power Apparatus and Systems, vol. PAS-90, nº. 06,

Julho/Agosto 1989.

132 - Ricardo Micheletto Leão

consistentes e, na medida do possível, reprodutíveis, de maneira a minimizar os

erros.

Avaliações da geometria da linha de transmissão e do tempo, por ocasião

das medições, são procedimentos indispensáveis para uma melhor execução dos

cálculos. Informações adicionais são importantes para um perfeito entendimento

da relação sinal/ ruído.

Outrossim, o projetista deve tomar em consideração os valores anuais de

variação dos ruídos de rádio perante as diversas condições de tempo: chuva

forte, bom e seco, a fim de que possa realmente avaliar a dimensão das

perturbações eletromagnéticas, bem como saber analisar os efeitos da rádio

interferência na execução de seus trabalhos.

O ambiente do MATHCAD mostrou-se adequado para o desenvolvimento

analítico, possibilitando uma investigação dinâmica, dos efeitos do campo

perturbador, bem como facilitando na construção dos gráficos explicativos. Assim

sendo, foi possível estabelecer um código fonte capaz de possibilitar o estudo da

rádio interferência com qualquer configuração e tensão.

Com o desenvolvimento da presente análise é permitido ao projetista e a

empresas ligadas ao comércio de equipamentos eletroeletrônicos e de

telecomunicações um estudo mais detalhado da rádio interferência causada por

fontes externas, corona ou centelhamento, proveniente de linhas de transmissão.

O conhecimento da metodologia apresentada permitirá o estudo de outras

configurações de linhas de transmissão, bem como a conversão de um nível de

tensão da linha para outro, de modo a minimizar os efeitos da rádio interferência.

Além disto, os projetistas de linhas de transmissão e as empresas ligadas

ao comércio de equipamentos eletroeletrônicos e de telecomunicações podem

realizar um estudo detalhado da rádio interferência. Ademais, o projetista deve

dar importância às recomendações do CISPR137, quanto às distâncias de medida

entre o ponto de medição da rádio interferência e o condutor fase mais externo à

linha de transmissão.

No presente trabalho é possível concluir que equipamentos colocados a

distâncias superiores a 20 metros de linhas de transmissão de até 500 kV não

137 CISPR - Comitê International Spécial des Perturbations Radioponiques. Specification for

CISPR radio interference measuring apparatus for the frequency range 0,15 a 30 MHz. CISPR

publication nº. 01, 1961.

Rádio Interferência Proveniente de Linhas e Alta Tensão - 133

sofrem interferência eletromagnética apreciáveis mesmo em tempo de chuva

forte.

Por outro lado, em tempo bom os equipamentos eletroeletrônicos e de

telecomunicações praticamente não possuem problemas com as rádios

interferências a qualquer distância de linha de transmissão até 500 kV.

A metodologia aplicada fornece soluções práticas para problemas que

envolvem a geração, a propagação e a recepção dos sinais eletromagnéticos e

ruídos, desde que se preservem as diretrizes da compatibilidade eletromagnética.

Ademais, infere-se que é de extrema validade manter os valores

recomendados por norma da relação sinal/ruído, no caso de 20 dB ou mais baixo,

no estudo do campo perturbador, de modo a garantir a compatibilidade

eletromagnética dos sistemas elétricos envolvidos.

Através da análise de todos estes pontos e com o desenvolvimento

matemático abordado, o presente estudo demonstrou que é possível estabelecer

valores de campos elétricos da rádio interferência, analisá-los através de gráficos

e tabelas e finalmente emitir conclusões quanto à qualidade da relação

sinal/ruído, de modo a preservar a qualidade dos equipamentos eletroeletrônicos

e equipamentos de telecomunicação usados nas proximidades das linhas de

transmissão de alta tensão.

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